Chapa de Aluisio Segurado e Liedi Bernucci é a mais votada na eleição reitoral da USP; lista tríplice será encaminhada a Tarcísio, a quem cabe a escolha
Liedi Bernucci e Aluisio Segurado: chapa teve 54,7% dos votos (foto: Mariana Ricci/Jornal do Campus)

A chapa “USP pelas Pessoas”, formada por Aluisio Augusto Cotrim Segurado (reitor) e Liedi Légi Bariani Bernucci (vice-reitora), foi a mais votada na eleição da lista tríplice para a Reitoria da USP. Embora as três chapas concorrentes sejam ligadas de alguma forma à gestão Carlos Gilberto Carlotti Jr.-Maria Arminda do Nascimento Arruda, Segurado sempre foi tido como o nome predileto do reitor para a sucessão e o que teria maior apoio da “máquina” reitoral.

A chapa de Segurado e Liedi recebeu 1.270 votos (54,7% do total dos votos válidos). A chapa “Nossa USP”, formada por Ana Lúcia Duarte Lanna e Pedro Vitoriano de Oliveira, recebeu 713 votos (30,7%), e a chapa “USP Novo Tempo”, de Marcílio Alves e Sílvia Casa Nova, ficou com 340 votos (14,6%).

A chapa “USP pelas Pessoas” também foi a mais votada na consulta indicativa realizada no dia 18 de novembro, na qual participaram pouco mais de 12 mil pessoas.

Conforme determina o artigo 36 do Estatuto da USP, a lista tríplice de chapas será encaminhada ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a quem cabe a escolha e nomeação dos novos dirigentes da universidade.

O resultado foi anunciado na noite desta quinta-feira (27/11), mesmo dia em que se realizou a eleição, que teve votação em formato online. O presidente da Comissão Eleitoral, Celso Campilongo, diretor da Faculdade de Direito (FD), disse, em declaração publicada pelo Jornal da USP, que “é sempre um motivo de satisfação para a universidade celebrarmos a democracia dos procedimentos internos de escolha da Reitoria”.

A “democracia dos procedimentos internos” da USP é de fato bastante peculiar, porque restritíssima. Como aponta a Diretoria da Adusp em nota na qual reivindica a necessidade de “urgente democratização da universidade”, “a comunidade universitária da USP é composta por cerca de 97 mil estudantes, 5 mil docentes e 15 mil servidores técnico-administrativos, somando mais de 117 mil pessoas”.

“No entanto, apenas uma fração muito pequena desse universo participa efetivamente do processo eleitoral para reitor(a): ao todo, são aproximadamente 2 mil eleitores na Assembleia Universitária, ou seja: menos de 2% do total. Enquanto cerca de um terço dos docentes tem direito a voto, entre estudantes e servidores técnico-administrativos a representação é mínima, não chegando a 0,5%”, ressalta a nota.

Já em artigo publicado pouco antes da eleição, a professora Michele Schultz (EACH), ex-presidenta da Adusp, diz que “a paquidérmica e elitista USP de 1934 ainda está entre nós”. “Soa paradoxal este atraso no processo de democratização da USP, o que me faz lembrar do discurso de um colega indígena que, ao explicar como as nações indígenas se organizam, soltou um belo: ‘A democracia é um mito grego!’. E parece que na USP é mesmo!”, conclui a professora.

Integrantes são nomes ligados à burocracia universitária

Aluisio Segurado é professor titular da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), na qual foi chefe de departamento, coordenador das residências médicas e presidente da Comissão de Pós-Graduação, entre outros cargos. Na administração da USP, foi o primeiro coordenador do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) e pró-reitor de Graduação no mandato de Carlotti Jr.- M. Arminda.

Liedi Bernucci é professora titular da Escola Politécnica, onde foi chefe de departamento, vice-diretora e diretora entre 2018 e 2021, sendo a primeira mulher a assumir esse cargo na unidade. Também presidiu o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) entre 2022 e 2024, exercendo o cargo, assim, durante os dois primeiros anos do governo Tarcísio-Felício Ramuth (PSD).

Desde o nome, a chapa mais votada na eleição reitoral da USP se propõe a “valorizar as pessoas”. A respeito do termo, cabe lembrar que Liedi Bernucci era diretora da Poli quando ocorreu o acidente de trabalho que causou a morte do estudante Filipe Varea Leme, em abril de 2019. O jovem era aluno do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e fazia estágio como monitor de informática na Poli.

Ao atender à solicitação de uma funcionária para que executasse uma tarefa completamente alheia a suas atribuições — o transporte de um armário carregado de livros, num caso evidente de desvio de função —, Filipe acabou atingido pelo carrinho de mudança no elevador de carga e morreu na hora.

A então diretora da Poli dissolveu a comissão de sindicância da escola que apuraria as responsabilidades no caso, eximindo-se de esclarecer as circunstâncias da morte do estudante e repassando a investigação para a Reitoria. A escola limitou-se a divulgar uma manifestação de pesar. Todas as iniciativas de solidariedade e assistência à família, como a realização de cerimônias em memória de Filipe e a cobrança de ações da Reitoria, partiram da FFLCH, cuja diretora à época era a atual vice-reitora, Maria Arminda do Nascimento Arruda.

EXPRESSO ADUSP


    Se preferir, receba nosso Expresso pelo canal de whatsapp clicando aqui

    Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!