Na posse da gestão Segurado-Bernucci, Tarcísio promete manter financiamento de USP, Unesp e Unicamp, enquanto novo reitor diz que garantir autonomia será prioridade
Agopyan, Loureiro, Tarcísio, Liedi Bernucci, Aluisio Segurado, Carlotti Jr., Maria Arminda e Marina Gallottini (foto: Cecília Bastos/USP Imagens)

Na cerimônia de posse da nova Reitoria da USP, realizada no dia 23 de janeiro, no Palácio dos Bandeirantes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantiu que o Estado vai manter o financiamento das universidades estaduais paulistas a partir das mudanças provocadas pela reforma tributária.

A reforma prevê a gradual extinção do ICMS, imposto do qual saem os recursos para a manutenção da USP, da Unesp e da Unicamp, e sua substituição até 2033 pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

“Se as nossas universidades hoje brilham, se as nossas universidades cresceram, é porque nós tínhamos a garantia do financiamento (…), e se a gente concentra boa parte da produção acadêmica do nosso país, que a gente concentra a produção acadêmica latino-americana, é porque existe um mecanismo de fomento que foi pensado lá atrás e que se mostrou eficaz, que se mostrou efetivo, e obviamente isso não pode mudar. Não vai ser a reforma tributária que vai fazer com que isso mude”, afirmou Tarcísio, cujo discurso foi o último da cerimônia.

“Nós vamos construir juntos o mecanismo de transição, e a coisa talvez seja muito mais simples do que parece, porque se nós tínhamos uma parcela destinada do ICMS à pesquisa e às universidades, nós vamos ter uma parcela do IBS destinada à pesquisa e às universidades, de maneira que a gente mantenha o poder de planejamento, a previsibilidade”, prosseguiu.

Tarcísio disse ainda que o governo irá “estudar como fazer a transição, porque os dois sistemas vão coexistir ao longo do tempo”.

“Tenho certeza que nós, com os reitores, vamos construir a melhor equação para garantir o financiamento, para garantir o fomento, para garantir a pesquisa, para garantir que a gente tenha a infraestrutura”, afirmou, sendo bastante aplaudido por uma plateia composta pelo Conselho Universitário (Co), congregações da Faculdade de Medicina e Escola Politécnica (unidades de origem do reitor e da vice-reitora), autoridades e representantes de diversas instituições.

Resta saber se a “coisa”, na prática, será realmente tão simples quanto o governador apregoou, especialmente no que envolver a negociação com uma Assembleia Legislativa recheada de parlamentares de extrema-direita para quem a universidade pública é um alvo a ser constantemente bombardeado.

Desinformação e ataques à democracia e às universidades são desafios, afirma Segurado

Referências aos riscos que correm a manutenção do financiamento e a autonomia universitária haviam sido feitas nos discursos anteriores. O novo reitor, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, que tomou posse ao lado da vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci, enfatizou que o reconhecimento da USP está “intrinsecamente vinculado ao modelo de financiamento estável e previsível, praticado há quase quatro décadas”.

De acordo com Segurado, foi a construção desse “arranjo” que permitiu à universidade “planejar, com continuidade e horizonte de longo prazo, políticas de formação, produção científica, pesquisa e inovação, internacionalização, inclusão e permanência, infraestrutura e expansão de suas atividades”.

“Preservar esse sistema”, defendeu, “não se constitui apenas como demanda orçamentária, mas como condição estrutural para que a autonomia universitária plena se mantenha como fundamento da liberdade intelectual e da relevância pública do trabalho acadêmico”.

A manutenção da autonomia plena é “absolutamente prioritária e será objeto de nossa especial atenção e de ações efetivas ao longo desta gestão”, disse Segurado, que garantiu que o tema será debatido não só com o governo do Estado, mas também com a Assembleia Legislativa “e toda a sociedade paulista”.

Mencionou como desafios da atualidade “as mudanças climáticas que já ameaçam a vida no planeta, com tensões geopolíticas, guerras e uma polarização exacerbada que dificulta o diálogo entre os diversos atores da vida social”, além de “desinformação em larga escala, ataques à democracia e questionamentos sobre o papel das universidades e sobre o investimento público no ensino superior”.

Entre as prioridades do mandato, citou “garantir e consolidar a autonomia universitária, fortalecer a convivência democrática e incorporar de forma crítica e responsável as tecnologias digitais disruptivas de inteligência artificial às atividades acadêmicas e de gestão”.

Diretora da FMUSP também defendeu autonomia

Eloisa Bonfá, diretora da Faculdade de Medicina (FMUSP), unidade de origem de Segurado, fez o discurso de saudação em nome do Co e também ressaltou a importância da preservação da autonomia. “Dirijo-me com respeito institucional e clareza ao senhor governador para reafirmar que a autonomia universitária e financeira das universidades públicas estaduais, historicamente assegurada pelo repasse do ICMS, é condição essencial para que São Paulo mantenha universidades públicas com padrões internacionais” afirmou.

A preservação da autonomia, defendeu, “não é um privilégio corporativo, mas uma estratégia estruturante de desenvolvimento científico, econômico e social para o Estado de São Paulo e para o Brasil”.

Compareceram à cerimônia, entre outros, os ex-reitores Vahan Agopyan, secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, e M. A. Zago, presidente do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); o secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab; o ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal Ricardo Levandowski, professor sênior da Faculdade de Direito; o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Francisco Eduardo Loureiro; e reitores(as) da Unesp, Unicamp, Unifesp e universidades privadas.

Recém-saído da Reitoria, Carlotti Jr. ganha cargo na nova gestão

No último dia 27 de janeiro, o Diário Oficial do Estado publicou uma série de portarias com as nomeações de ocupantes de cargos da nova gestão. Até esta sexta-feira (6/2), ainda não haviam sido publicadas as nomeações definitivas de pró-reitores(as).

Marcos Garcia Neira (FE), Rodrigo do Tocantins Calado de Saloma Rodrigues (FMRP), Susana Inés Córdoba de Torresi (IQ), Iran José Oliveira da Silva (Esalq) e Ana Lúcia Duarte Lanna (FAU) foram nomeados(as) para exercer pro tempore, respectivamente, as funções de pró-reitores(as) de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação, Cultura e Extensão Universitária e Inclusão e Pertencimento.

Na lista publicada no DOE, no entanto, a nomeação que mais chama a atenção é a do ex-reitor Carlos Gilberto Carlotti Jr. para exercer a presidência da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani).

A designação, além de inusual para um ex-reitor que acaba de deixar o cargo, também suscita interrogações sobre o papel que Carlotti Jr. terá na nova gestão e a continuidade de políticas prioritárias no seu mandato, como a ênfase nas parcerias com entidades privadas e no discurso e práticas “inovacionistas”.

As portarias assinadas por Segurado nomeiam Edmilson Dias de Freitas (IAG) como novo chefe de Gabinete da Reitoria, e Gustavo Ferraz de Campos Monaco e José Maria Arruda de Andrade (ambos da FD), respectivamente, como Secretário-Geral da USP e Procurador-Geral da USP.

Quanto às superintendências, Fátima de Lourdes dos Santos Nunes Marques (EACH) assume a de Tecnologia da Informação (STI), cabendo a Luiz Alberto Beserra de Farias (ECA) a de Comunicação Social (SCS), a André Lucirton Costa (FEA-RP) a de Saúde (SAU), e a Manfredo Harri Tabacniks (IF) a de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU).

Adriana Marotti de Mello (FEA) assume a Coordenadoria de Administração Geral (Codage). Herlandí de Souza Andrade (EEL) é o diretor-geral do Departamento de Administração. Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini (EE) é a nova coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida).

Marilene Proença Rebello de Souza (IP) passa a ser a ouvidora da USP. Raquel Assed Bezerra da Silva (FORP) é a nova coordenadora do Programa Alumni USP. Raúl González Lima foi nomeado coordenador da Agência USP de Inovação (USPInovação), e Antonio Carlos Marques (IB) é o coordenador do Complexo do Câmpus Capital-Butantã do Centro de Inovação (InovaUSP).

Carlota Josefina Malta Cardozo dos Reis Boto (FE) assume a direção da Editora da USP (Edusp). Francisco Carlos Paletta (ECA) passa a presidir a Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais (ABCD), e Solange Oliveira Rezende (ICMC) é a nova coordenadora do Escritório de Proteção de Dados e Informações.

Solange Rezende e Luiz Alberto Beserra de Farias (SCS) são dois casos identificados preliminarmente pelo Informativo Adusp Online de docentes que têm ligações com cursos pagos do gênero MBA em suas unidades.

EXPRESSO ADUSP


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