Em reunião com representantes da Reitoria nesta terça-feira (20/10), a Diretoria da Adusp tratou de temas como o pagamento dos retroativos da chamada lei do “Descongela”, o financiamento das universidades públicas e a transparência na utilização das reservas financeiras da USP.

Pela Diretoria da Adusp, participaram o presidente, Márcio Moretto Ribeiro, o 2º vice-presidente, Marcelo De Luca de Oliveira Ribeiro, e o 2º tesoureiro, Pierluigi Benevieri.

Representaram a Reitoria o chefe de Gabinete do Reitor, Edmilson Dias de Freitas, a coordenadora da Coordenadoria da Administração Geral (Codage), Adriana Marotti de Mello, o diretor-geral do Departamento de Recursos Humanos (DRH), Fernando de Souza Coelho, e David Griman, servidor do DRH.

Em relação ao pagamento dos valores dos efeitos da Lei Complementar (LC) 226/2026, o chamado “Descongela”, que restabelece a contagem de tempo do período da pandemia da Covid-19 para fins de aquisição de direitos como anuênios, triênios, quinquênios e licença-prêmio, suspensa no governo de Jair Bolsonaro (PL), a posição da Reitoria é a mesma já comunicada em outras ocasiões, ou seja: há o reconhecimento de que os(as) servidores(as) têm direito a esse pagamento e a universidade continua estudando como o fará.

A Adusp entende que, mesmo que não seja promulgada uma lei estadual determinando como será feito o ressarcimento, a USP poderia tomar a iniciativa de efetuar o pagamento, por dispor de ampla autonomia administrativa e de gestão. No entanto, a universidade prefere encaminhar a questão em conjunto com a Unesp e a Unicamp.

A Adusp deve levar o tema ao Fórum das Seis para debater como pressionar as reitorias a saldar os retroativos.

A Diretoria da Adusp enfatizou também que há casos de docentes que se aposentaram no período tendo completado o tempo para aquisição de algum benefício que não foi incorporado no cálculo dos proventos da aposentadoria.

Enquanto a entidade defende que essa incorporação pode ser feita pela USP, também com base na autonomia, a universidade alega que é necessário haver lei regulamentando o tema. A Adusp comunicou que pretende judicializar a questão caso não haja providências da USP a respeito.

Reservas da USP equivalem a um ano de orçamento, admite Codage

Durante a conversa com a representação da Adusp, a coordenadora da Codage mencionou as reservas financeiras da USP e deixou claro que o montante atual corresponde a cerca de um ano do orçamento da universidade. Todavia, acrescentou Adriana Marotti, em outros momentos a USP já teve reservas significativas que acabaram se esvaindo em tempos de “vacas magras”.

Os representantes da Adusp ressaltaram que os “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira” adotados em 2017 preveem que a universidade deve manter em sua reserva o valor equivalente a três meses da folha de pagamento e que o caixa atual é bem superior a esse patamar. Argumentaram ainda que é necessário agir com transparência em relação à aplicação dos recursos.

Adriana Marotti respondeu que a USP vai manter a política de transparência e explicitar como pretende aplicar os recursos ao apresentar a previsão orçamentária de 2027.

Quanto ao principal tema da pauta, o financiamento das universidades estaduais paulistas a partir da extinção gradual do ICMS, determinada pela reforma tributária, o presidente da Adusp enfatizou que a entidade tem trabalhado para colher assinaturas entre os(as) membros do Conselho Universitário (Co) da USP para pautar na próxima sessão, no dia 24 de novembro, a aprovação de um manifesto do Fórum das Seis.

No documento apresentado aos Conselhos Universitários das três instituições, o Fórum propõe que “a base de cálculo para o financiamento das universidades públicas paulistas seja a Receita Tributária Líquida (RTL) do estado de São Paulo, a exemplo do que está previsto para a Fapesp”, e que, para efeitos da contabilidade do estado, “o montante da arrecadação do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), a ser implantado pela reforma tributária, seja conceituado como tributo”. O texto já foi aprovado pelos conselhos da Unesp e da Unicamp.

A representação da USP considerou os termos do manifesto bastante razoáveis, mas deixou claro que pautar a discussão do texto na sessão do Co é prerrogativa do reitor.

Ao final, a Diretoria da Adusp lembrou que a arrecadação do ICMS neste ano será significativamente superior à projetada pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) na época da negociação da data-base, em maio, o que poderia ensejar novas tratativas entre as partes.

Já a representação da Reitoria argumentou que a discussão do tema deve se dar entre o Cruesp e o Fórum das Seis, e não isoladamente na universidade.

EXPRESSO ADUSP


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