Universidade
Ainda que tardiamente, chapas de “reitoráveis” reagem às iniciativas da Adusp
Finalmente, duas das chapas que disputam a próxima gestão reitoral da USP reagiram às iniciativas e propostas da Adusp. Na última sexta-feira, 14 de novembro, Marcílio Alves e Sílvia Casa Nova, candidatos a reitor e vice-reitora pela chapa “USP Novo Tempo”, visitaram a Adusp para apresentar algumas de suas propostas (um resumo dessa conversa será publicado em breve). Nessa mesma data, ainda, a chapa “USP Novo Tempo” tornou-se a primeira a responder aos dois conjuntos de perguntas encaminhados pela Diretoria da Adusp, simultaneamente, às três chapas.
Por outro lado, também na sexta-feira, 14, a chapa “Nossa USP”, formada por Ana Lúcia Duarte Lanna e Pedro Vitoriano de Oliveira, encaminhou mensagem à Diretoria da Adusp para fornecer explicações sobre a posição dessa candidatura quanto ao debate proposto, em setembro, pela entidade representativa.
De acordo com a chapa “Nossa USP”, no dia 30 de setembro ela enviou para as outras duas chapas, num grupo de WhatsApp especialmente criado pela Reitoria, “uma proposta de data para a realização do debate da Adusp: 24 de outubro de 2025. Diante do silêncio das outras chapas, não houve mais comunicação com a Adusp (iríamos comunicar caso a resposta das outras chapas fosse positiva)”.
A chapa “Nossa USP” alega, assim, ter sido “a única a se dispor a participar do debate da Adusp (embora tenha falhado em comunicar a própria Adusp sobre esta disposição)”.
A omissão da chapa liderada pela ex-pró-reitora Ana Lanna no tocante ao debate eleitoral proposto pela Adusp repercutiu entre participantes da Rede Não Cala. A carta alude implicitamente a esse fato, ao mencionar a existência de um “ruído de informações em torno deste convite”, que a levou a fornecer as explicações que dela constam (leia, ao final deste texto, a íntegra da carta).
Efetivamente, nenhuma das chapas de “reitoráveis” respondeu ao convite da Adusp para que se organizasse um debate com a participação das três. Assim, o único “debate” realizado entre as chapas se limitou ao evento oficial constituído por três rodadas de leituras de perguntas às chapas previamente encaminhadas à Comissão Eleitoral, e respectivas respostas, em formato online inteiramente fechado ao público.
Respostas da chapa “USP Novo Tempo” às perguntas da Adusp
A chapa “USP Novo Tempo” encaminhou extensas respostas às seis perguntas formuladas pela Adusp. No tocante à democratização da universidade, a chapa evita assumir compromisso com o cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que estabelece os percentuais de composição dos colegiados de 70% de docentes, 15% de estudantes e 15% de funcionárias(os), os quais a USP historicamente desrespeita, conferindo a docentes (e especialmente a professores-as titulares) percentuais superiores a 80% dos assentos.
“A questão da composição dos colegiados centrais, particularmente do Conselho Universitário, representa um debate sobre a natureza democrática da gestão universitária. Em nosso programa, especificamente na proposta 116, assumimos o compromisso de aprimorar a representatividade nas instâncias decisórias da universidade e na gestão reitoral”, respondeu Marcílio Alves. “Eu e Silvia defendemos uma gestão mais participativa. Sobre a proposta específica de ampliação para 15% da representação estudantil e de servidores técnico-administrativos no Co, reconhecemos que ela expressa anseios concretos por maior democratização”.
Quanto à questão do financiamento da universidade e de sua posição em relação à proposta do Fórum das Seis de destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida (RTL) para as universidades estaduais paulistas, a chapa não opina a respeito e não assume qualquer compromisso: “Eu e Silvia temos competência e experiência concreta em gestão de projetos complexos e qualificação em negociação com diversas instâncias do poder público. Nosso posicionamento frente à reforma tributária é agir rápido e com estratégia. Para isso, nosso programa prevê a criação de um grupo de especialistas uspianos para ajudar no processo regulatório, garantindo uma interlocução qualificada com o poder legislativo e defendendo a autonomia e sustentabilidade da nossa universidade”.
No tocante à recomposição de vagas para docentes negros e indígenas — a USP deixou de aplicar a reserva de 20% para PPIs em 276 concursos já autorizados, o que resultou na perda de pelo menos 175 vagas que deveriam ter sido destinadas a esses grupos — a chapa diz que “A USP não tem respondido bem às políticas de reserva de vagas para docentes PPI, assim como não tem respondido às demais demandas de inclusão e permanência. Precisamos ser críticos e agir”. No entanto, não assume compromisso com medidas concretas.
Sobre exercer uma relação respeitosa e de diálogo com a Adusp, caso a chapa “USP Novo Tempo” venha a se eleger, Marcílio assume o compromisso de “manter o diálogo e fortalecer a relação entre a Reitoria e a Adusp, e outros grupos representativos, reduzindo assimetrias de informações sobre a gestão, mantendo abertos, por todo o período da nossa gestão, canais de comunicação transparentes que garantam a participação”.
Quanto a qual o projeto defendido pela chapa para os hospitais universitários da USP, especialmente o Hospital Universitário (HU) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC), e para as creches universitárias, a resposta foi assertiva.
“Os hospitais universitários precisam de atenção urgente. No segundo debate entre as chapas, tive a oportunidade de falar sobre a situação do HU. Nossa chapa entende que precisamos, enquanto universidade, garantir condições adequadas para que todos os profissionais possam desenvolver suas funções com segurança. Outra demanda presente são as longas filas e profissionais sobrecarregados. Ainda sobre atendimento, atualmente temos campi que carecem de atendimento primário, o que, infelizmente, revela uma desigualdade no acesso à saúde entre campi”.
Prossegue: “A proposta 94 do nosso programa dispõe sobre revitalizar o Hospital Universitário, preservando o seu papel de ensino. O HU é importante para todas as pessoas que ali trabalham, para a comunidade uspiana e da região, e para todas e todos discentes que se desenvolvem acadêmica e profissionalmente. Pensando na saúde, bem-estar e protegendo o tempo das pessoas que vivem o campus, a implementação da nossa proposta 141 tem como objetivo ampliar as Unidades Básicas de Assistência à Saúde (UBAS), assegurando uma em cada campus para atendimento primário, com funcionamento diurno e noturno, e atendimento médico, odontológico e de enfermagem. Sobre as creches, nossa proposta 133 do nosso programa dispõe sobre ampliar e manter no mínimo uma creche por campus”.
A respeito da proposta de extinção da Comissão Especial de Regimes de Trabalho (CERT), os integrantes da chapa “USP Novo Tempo” dispuseram-se apenas a “manter a USP como signatária da Declaration of Research Assessment (DORA), que apresenta um posicionamento claro contra a avaliação excessivamente quantitativa”. Propõem, na realidade, manter a CERT, limitando-se a “reformular as suas funções e a sua composição”, sendo que a comissão “passará a atuar sob a coordenação da CAD”.
Leia aqui a íntegra das respostas encaminhadas pela chapa.
A íntegra da carta da chapa “Nossa USP” à Diretoria da Adusp
“Gostaríamos de relatar fatos do final de setembro de 2025/início de outubro, no início da campanha para eleição reitoral.
Recebemos um convite para participar de um debate que seria organizado pela Adusp. Dias antes, a Secretaria Geral e a Comissão Eleitoral haviam criado um grupo de whatsapp com representantes das três chapas concorrentes à eleição reitoral. No caso da Chapa Nossa USP, os representantes são Regina Szylit (EEUSP) e Paulo Correia (EACH). Por ter sido criado pela Secretaria Geral em parceria com a Comissão Eleitoral, trata-se de um grupo oficial, embora no whatsapp.
No dia 30 de setembro, enviamos para as outras duas chapas uma proposta de data para a realização do debate da Adusp: 24 de outubro de 2025. Diante do silêncio das outras chapas, não houve mais comunicação com a Adusp (iríamos comunicar caso a resposta das outras chapas fosse positiva). Agora, em 14 de novembro, diante do ruído de informações em torno deste convite, gostaríamos de narrar o que aconteceu.
Assim, a Chapa Nossa USP foi a única a se dispor a participar do debate da Adusp (embora tenha falhado em comunicar a própria Adusp sobre esta disposição).
Cordialmente,
Chapa Nossa USP
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