A Reitoria da USP prepara-se para criar mais uma estrutura voltada à “inovação”. Trata-se do “Instituto Internacional de Inovação”, que vai se juntar à Agência USP de Inovação (Auspin), ao InovaUSP e à Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI).

Aparentemente não há clareza sobre o que se pretende com o novo instituto. É o que se depreende da leitura da Portaria 480/2026, assinada pelo reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado no dia 27 de março e publicada em 30 de março pelo Diário Oficial do Estado de São Paulo.

A portaria designa os integrantes de um Grupo de Trabalho visando à implantação do Instituto Internacional de Inovação, “com a atribuição de propor um escopo de atuação para essa iniciativa de inovação, bem como uma governança para o referido Instituto”. Portanto, parece que a ideia de se criar essa unidade não veio acompanhada da definição de suas finalidades, cabendo ao GT propor o respectivo “escopo de atuação para essa iniciativa de inovação”.

Os integrantes do GT nomeados pelo reitor Aluísio Segurado são os professores Marcelo Knörich Zuffo e Eduardo de Senzi Zancul, ambos da Escola Politécnica (Poli), e Moacir de Miranda Oliveira Júnior, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA). Zancul é vice-coordenador do InovaUSP.

O Informativo Adusp Online questionou a Reitoria quanto à finalidade do Instituto Internacional de Inovação, quanto ao impacto financeiro de sua criação para a USP e, ainda, se a decisão de implantar essa unidade foi do próprio reitor ou de algum colegiado.

“Foi uma iniciativa da gestão anterior e a atual gestão está avaliando, tendo sido constituído um grupo de trabalho”, respondeu a Reitoria por intermédio de sua Assessoria de Imprensa. “O impacto financeiro será conhecido após entrega do relatório desse GT, que tem 90 dias para concluir seu trabalho”.

Diante desse esclarecimento, indagou-se à Reitoria qual portaria ou resolução da gestão Carlotti Jr.-Nascimento Arruda faz alusão ao Instituto Internacional de Avaliação. A Reitoria informou, porém, que “não chegou a sair resolução ou portaria sobre o assunto”.

“Muito estranha essa portaria [480/2026]. Parece que eles inventam um nome e só depois começam a pensar a natureza, os objetivos, e quais os problemas buscam superar. É o rabo abanando o cachorro”, comenta, a pedido do Informativo Adusp Online, o professor Marcos Barbosa de Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e autor de vários estudos sobre a questão da inovação.

Avaliação semelhante faz o professor sênior Otaviano Helene, do Instituto de Física (IF), ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais “Anísio Teixeira” (INEP-MEC): “Primeiro foi criado um organismo e depois uma comissão para dizer qual será seu escopo, ou seja: para dizer para o que ele servirá”.

Novo instituto tinha diretor putativo e obras teriam se iniciado já em 2024

O mais intrigante é que, a julgar por informações que circularam pelas redes sociais em 2023 e 2024, antes mesmo de sua criação formal o instituto já teria começado a se instalar na Cidade Universitária do Butantã. E, de modo um tanto surpreendente, já contaria até com um presidente, ou diretor, cargos atribuídos ao professor José Roberto Cardoso, da Poli.

É o que consta de publicação realizada na rede Linkedin, em 2024, pela professora Maristela Basso, do Instituto de Relações Internacionais (IRI-USP). “E vem aí o I3, Instituto Internacional de Inovação da USP ou I3 – Inovação ao Cubo. Quem disse que estamos parados na USP? Engenharia e Direito – parceria perfeita”, celebra em texto a docente do IRI, ao apresentar um vídeo narrado por ela e que traz imagens do professor Cardoso.

“Estamos aqui eu, professor Gerson Damiani, professor Cardoso, diretor da Poli [sic] e presidente do Instituto Internacional de Inovação. Estamos aqui no prédio, está em fase final de construção, que é uma beleza de prédio. Instituto Internacional de Inovação, a ser inaugurado como I3, porque é inovação ao cubo”, diz a professora Maristela no vídeo. “Instituto Internacional de Inovação dentro da Cidade Universitária. Um prédio de 36 mil metros quadrados. Vai dar para fazer muita inovação no estado de São Paulo, na Universidade de São Paulo, no Brasil. O professor Cardoso é o presidente do I3” (destaques nossos).

Em 2025, o docente da Poli esteve em Porto Alegre para conhecer instalações da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). “Diretor do novo parque de inovação da USP visita o Tecnopuc”, mancheteou, em fevereiro de 2025, site vinculado à PUC-RS. A visita de José Roberto Cardoso, nos dias 30 e 31 de janeiro, relata a matéria, “teve como objetivo conhecer o Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS [Tecnopuc] tendo em vista o desenvolvimento do i3 – Instituto Internacional de Inovação, o Parque da USP que será inaugurado nos próximos meses e terá Cardoso como diretor” (destaques nossos).

EXPRESSO ADUSP


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