Universidade
Mutirão de docentes, funcionários, estudantes e voluntários(as) trabalha para salvar materiais da biblioteca da Faculdade de Educação, após queda do forro e inundação; empresa contratada para reforma deixou telhado desguarnecido
Docentes, funcionários(as) e estudantes da Faculdade de Educação (FE) e de outras unidades têm trabalhado incessantemente desde a última segunda-feira (11 de maio) para proteger e recuperar obras da Biblioteca “Celso de Rui Beisiegel”, depois da inundação decorrente da chuva do último domingo (10).
A chuva provocou queda de placas do forro do prédio. A água invadiu parte do segundo andar e se espalhou também pelos pavimentos inferiores.

Em mensagem enviada por e-mail na terça-feira (12), o recém-empossado diretor da unidade, José Sérgio Fonseca de Carvalho, descreve que, ao chegar ao local, “a primeira visão foi devastadora: pedaços do forro espalhados pelo chão, água por todo o solo, livros preciosos molhados”.
Em nova mensagem, enviada também por e-mail à comunidade da USP na manhã desta quarta-feira (13) e assinada ainda pela vice-diretora da FE, Monica Appezzato Pinazza, e pela chefe técnica da biblioteca, Daniela Pires, a direção afirma que não houve perdas no acervo, mas que obras foram danificadas pela água e pela umidade.
O trabalho para recuperá-las é feito obra a obra e praticamente página a página, com a inserção de papel-toalha e outros materiais absorventes entre as folhas. Ventiladores e secadores de cabelo também são utilizados, e os(as) próprios(as) voluntários(as) têm trazido esses equipamentos de casa para auxiliar no trabalho.

Na mensagem desta quarta-feira, a direção da FE ressalta que a inundação “não decorreu de qualquer descuido da Faculdade ou da Biblioteca”. De acordo com a faculdade, o problema foi causado por conta “da imperícia e da imprudência” da empresa contratada para fazer a troca do telhado do prédio — providência reivindicada pelo menos desde 2024.
Na semana passada, a empresa retirou as telhas antigas e, por não ter material de reposição adequado, acabou deixando a biblioteca desguarnecida. A chuva do domingo encontrou o caminho praticamente livre para o estrago.
Ainda segundo a direção, funcionários(as) da Superintendência do Espaço Físico (SEF) estiveram no local e já teriam assegurado que a empresa será responsabilizada financeiramente pelos danos.
De acordo com o Portal da Transparência da USP, a reforma da cobertura do prédio da biblioteca da FE é obra de responsabilidade da Bellacon Construtora e Incorporadora, empresa com sede na zona sul de São Paulo. O valor do contrato, firmado no último dia 20 de janeiro, é de R$ 638 mil.
O Informativo Adusp Online procurou a SEF para saber quais medidas serão adotadas em relação à empresa e aos danos causados à biblioteca, mas não obteve retorno.
Trabalho preventivo da equipe evitou danos piores
A direção da FE avalia que os danos só não foram maiores porque, em função da realização da obra, “a equipe da biblioteca havia adotado medidas preventivas fundamentais, cobrindo as coleções especiais, os materiais bibliográficos mais sensíveis e os equipamentos, a fim de proteger o acervo e o patrimônio público sob sua responsabilidade”.
“Essas medidas prévias, somadas à ação emergencial imediata realizada pelas funcionárias e funcionários da biblioteca e da faculdade, foram decisivas para evitar perdas no acervo. Houve danos provocados pela água e pela umidade, os quais estão sendo avaliados e serão devidamente tratados com acompanhamento técnico especializado. No entanto, não houve perda de acervo, justamente porque as ações preventivas e emergenciais foram realizadas de forma rápida, criteriosa e profissional”, prossegue o comunicado.

A direção relata que todos(as) os(as) servidores(as) técnico-administrativos(as) da faculdade, além de docentes, estudantes e voluntários(as), atuaram imediatamente na identificação das áreas atingidas, no isolamento dos materiais afetados, na retirada de livros das áreas de risco, na secagem inicial dos volumes e na adoção de procedimentos emergenciais de conservação.
Foi necessário, por exemplo, utilizar rodos para escoar a água pelas escadas, porque não há ralos nos pisos superiores do prédio.
Profissionais especializados(as), como conservadores(as) de outras bibliotecas e unidades da USP, têm colaborado no trabalho.
Toda essa mobilização, afirma a direção da FE, “revelou, de forma muito concreta, a capacidade de união da comunidade universitária e, em especial, da comunidade da Feusp, diante de uma situação crítica envolvendo a preservação de seu patrimônio bibliográfico, histórico, acadêmico e cultural”.
“O episódio foi grave e exigirá acompanhamento contínuo, tanto em relação às condições físicas do prédio quanto ao monitoramento dos materiais atingidos. Contudo, a resposta coletiva, solidária e profissional permitiu controlar a situação inicial, preservar o acervo e encaminhar os danos identificados para os cuidados técnicos necessários”, diz ainda a direção, que “agradece profundamente a todas as pessoas que se mobilizaram neste momento”.
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