Irredutível, Cruesp mantém proposta de reajuste de 3,47%; política salarial das reitorias “é projeto de desmonte das universidades e empobrecimento de servidores”, avalia coordenador do Fórum das Seis
Cruesp se manteve irredutível em relação à proposta (foto: Bahiji Haji)

Em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (14 de maio) na Reitoria da Unesp, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) se mostrou irredutível frente à argumentação do Fórum das Seis e não alterou a proposta de reajuste salarial das categorias de docentes e servidores(as) técnico-administrativos(as), mantendo o índice de 3,47% apresentado na primeira reunião de negociação, no dia 4.

O percentual corresponde à inflação dos últimos doze meses medida pelo IPC-Fipe, indicador já rechaçado anteriormente pelo Fórum das Seis.

Na abertura da negociação, o Fórum argumentou que o índice configura um arrocho salarial imposto às categorias. A entidade apresentou uma contraproposta: reajuste pelo IPCA, medido pelo IBGE, que atingiu 4,39% nos últimos doze meses, mais 3%, primeiro passo de um processo de recuperação das perdas salariais, tendo como referência o poder de compra de maio de 2012.

Houve um intervalo e, no retorno, os reitores Aluísio Segurado (USP), Paulo Cesar Montagner (Unicamp) e Maysa Furlan (Unesp), presidenta do Cruesp, mantiveram a proposta original.

De acordo com o Cruesp, as universidades se tornaram mais complexas com as políticas de democratização de acesso e, portanto, o orçamento deve considerar outras questões além dos salários.

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Manifestação na Praça da República acompanhou a reunião

O coordenador do Fórum, João da Costa Chaves Júnior, diretor da Adunesp, rebateu que, mesmo com as dificuldades alegadas, há espaço para maior avanço na remuneração. “Temos pessoas no Fórum das Seis que conhecem profundamente as questões financeiras e orçamentárias das universidades e argumentaram que seria possível conceder um reajuste superior ao oferecido”, considera.

“Pontuamos que a política salarial que o Cruesp tem implementado é um projeto de desmonte das universidades e de empobrecimento dos trabalhadores técnico-administrativos e docentes das três universidades, e que isso certamente está produzindo um processo de deterioração das condições de vida das pessoas e das condições de trabalho”, relata.

“Deixamos claro que esse índice da Fipe não foi aceito pela comunidade e vamos encaminhar novamente o resultado dessas negociações para as nossas assembleias, de tal maneira que possamos trazer a devolutiva para o Cruesp”, prossegue Chaves Júnior.

A Assembleia Geral da Adusp será realizada na próxima segunda-feira (18), às 16h, em formato presencial e com participação das regionais por videoconferência. Os locais na capital e no interior serão informados oportunamente.

DCE-Livre cobra retomada das negociações com a Reitoria da USP

Encerrada a discussão sobre reajuste, as partes passaram a tratar dos temas da permanência estudantil. Quatro itens fundamentais constavam da pauta das entidades discentes: o aumento dos valores e da quantidade de bolsas; a discussão da diferença entre bolsa e auxílio; a abolição de bolsas com contrapartida de trabalho; cotas trans e Vestibular Indígena.

A violenta desocupação do prédio da Reitoria da USP pela Polícia Militar, na madrugada do último domingo (10), também foi denunciada pela representação do DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme”, que cobrou a reabertura das negociações da pauta da greve estudantil na USP, interrompidas unilateralmente por Segurado.

O reitor respondeu que as conversas serão retomadas por meio da “Comissão de Moderação e Diálogo Institucional”, criada “com o objetivo de promover a abertura de um novo ciclo de interlocução com a representação estudantil”, de acordo com o discurso oficial da universidade.

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DCE-Livre da USP cobra Segurado para retomar negociações

Na avaliação do coordenador do Fórum das Seis, “a manifestação dos nossos estudantes nos orgulha muito porque foi qualificada e colocou as coisas nos seus devidos lugares”.

“Certamente há questões de permanência que se expressam de maneira diferente nas três universidades, mas em todas existem situações emergenciais em que os reitores precisam ter sensibilidade para tomar atitudes o mais rápido possível no sentido de mitigar o sofrimento dos estudantes, que em alguns lugares estão sem moradia, com péssimas condições de alimentação ou sem condições de se sustentar nas cidades em que vivem”, diz Chaves Júnior.

Nos próximos dias haverá uma reunião do GT Permanência, formado por representantes das três universidades — inicialmente marcada para o dia 20 de maio, mas que deve ser transferida a pedido dos(as) estudantes —, e posteriormente uma nova reunião sobre o tema envolvendo o GT, o Cruesp e o Fórum das Seis.

“Conseguimos alguns avanços modestos na questão da permanência, mas são avanços tímidos em face daquilo que as universidades precisam neste momento. Esses avanços só foram possíveis graças ao movimento que está acontecendo nas universidades e à manifestação que fizemos aqui na segunda-feira”, avalia o coordenador do Fórum das Seis.

EXPRESSO ADUSP


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