Greve estudantil é encerrada na Poli e na Faculdade de Direito; DCE-Livre realiza assembleia geral nesta terça (2/6) para decidir rumos do movimento
Na Congregação, Diretoria da FD garantiu que não haverá retaliação (Foto: Faculdade de Direito)

Além dos(as) estudantes do curso de Medicina, alunos(as) de outras duas unidades importantes da USP deliberaram na semana passada pelo encerramento da greve discente.

Em acirrada votação realizada em assembleia na última sexta-feira (29 de maio), os(as) alunos(as) da Faculdade de Direito (FD) decidiram encerrar a greve. Houve 370 votos pelo fim da paralisação e 324 pela continuidade, com seis abstenções.

Em nota publicada no Instagram, o Centro Acadêmico XI de Agosto afirmou entender “que a greve chegou ao seu limite nas condições atuais”. “O enfraquecimento da mobilização, o desgaste e adoecimento dos estudantes que sustentaram o processo e a ausência de perspectivas concretas de novos avanços tornam a continuidade da paralisação um erro político e estratégico. Encerrar a greve agora não significa abandonar a luta, mas consolidar as conquistas arrancadas até aqui e seguir avançando em outras frentes de mobilização”, prossegue a entidade.

O XI de Agosto cita como uma das conquistas da mobilização na unidade a proposta de construção de uma cozinha industrial na faculdade para resolver o problema das refeições no bandejão. A Diretoria está encaminhando os trâmites para multar a empresa Básica, responsável pelo restaurante terceirizado na São Francisco, por problemas na operação.

O centro acadêmico também citou o compromisso assumido pela Diretoria da faculdade, em reunião da Congregação no dia 28, de não retaliar os(as) estudantes.

Em nota publicada no sábado (30), a diretora e o vice-diretor da FD, Ana Elisa Liberatore Bechara e Ronaldo Porto Macedo Júnior, comunicam a retomada das aulas nesta segunda-feira (1o de junho), asseguram à comunidade discente, “conforme entendimentos entre a Diretoria e a Pró-Reitora de Graduação, que não haverá reprovação geral por faltas em razão da paralisação estudantil” e afirmam que a faculdade “não promoverá nenhuma medida administrativa disciplinar em prejuízo da comunidade acadêmica, da qual os estudantes são parte essencial, exclusivamente em razão do exercício do direito de reivindicação, ressalvados os limites da legalidade e do respeito ao patrimônio público e às regras que disciplinam a Universidade de São Paulo”.

“Portanto, não se admitirá monitoramento político, perseguição ideológica ou discriminação de discentes, funcionários ou docentes pelo simples fato de aderirem às mobilizações. Da mesma forma, nenhum estudante sofrerá corte, suspensão, redução ou atraso no recebimento de bolsa de monitoria, pesquisa, extensão ou auxílio de permanência estudantil sob gestão da Faculdade de Direito em virtude estrita de adesão à paralisação das atividades”, prossegue a nota.

A Diretoria havia promovido uma “consulta eletrônica à comunidade estudantil” por meio do sistema Helios Voting – o mesmo método utilizado nas deliberações do Conselho Universitário (Co) – “para avaliar a percepção sobre a continuidade ou não da paralisação dos estudantes”.

Conforme publicação no site da faculdade, “sobre a pergunta ‘Você é a favor da continuidade da paralisação?’, 766 votantes responderam ‘Não’, qual seja, pelo retorno imediato das atividades”, enquanto 325 votaram “Sim”. Houve ainda 27 votos nulos e um em branco.

O XI de Agosto esclareceu que a consulta promovida pela Diretoria da FD não tinha caráter deliberativo e que a decisão sobre o movimento caberia exclusivamente à assembleia estudantil.

Cursos na capital e no interior votam pelo fim da paralisação

O Grêmio e o Diretório Acadêmico da Escola Politécnica organizaram uma votação eletrônica entre os(as) discentes, também pelo sistema Helios Voting, para decidir sobre a continuidade da greve.

Houve 2.222 votos pelo fim da paralisação, 1.374 pela manutenção e 119 abstenções. Os(as) estudantes também se manifestaram contrariamente à realização de piquetes físicos e sonoros na unidade.

“Enquanto Diretório Acadêmico e Grêmio Politécnico, ficamos muito felizes em ver milhares de estudantes participando ativamente desse processo, debatendo, construindo opiniões e ocupando os espaços coletivos de decisão dentro da universidade. Esse tipo de participação é fundamental para nosso crescimento cidadão e para o fortalecimento da comunidade politécnica”, disseram as entidades em manifestação publicada no Instagram.

Outros cursos também deliberaram pelo fim da paralisação, em alguns casos já em abril, ainda nas primeiras semanas do movimento, como na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP). Na Faculdade de Odontologia, os(as) estudantes decidiram encerrar a greve no dia 8 de maio, enquanto no Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (Caaso), entidade estudantil do Câmpus de São Carlos, a votação pelo término da paralisação ocorreu no dia 14 de maio.

A greve estudantil é mantida em várias unidades, entre elas a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Faculdade de Educação (FE), a Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH).

O DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” realiza uma assembleia geral nesta terça-feira (2), às 18h30, na FAU, no Câmpus do Butantã, para debater os rumos do movimento.

EXPRESSO ADUSP


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