Universidade
Em assembleia, estudantes da FMUSP decidem encerrar greve; Diretoria condicionou acordo ao fim do movimento e mencionou “riscos acadêmicos” à formação caso a paralisação fosse mantida
Em assembleia realizada nesta quarta-feira (27 de maio), os(as) estudantes da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) decidiram encerrar a greve na unidade.
A decisão foi tomada um dia depois de uma reunião realizada entre a Diretoria da faculdade, a direção do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) e o comando de greve. As atividades foram retomadas já nesta quinta-feira (28).
A Diretoria da FMUSP atendeu algumas das demandas dos(as) discentes, mas uma das mais importantes, incorporada como pauta da greve do conjunto dos(as) estudantes da USP — a extinção do programa “Experiência HC na Prática” —, foi contemplada apenas parcialmente.
O programa cobra quase R$ 9 mil de estudantes do 4º ao 6º anos de outras instituições, principalmente particulares, por estágio de um semestre no Hospital das Clínicas (HC) e aulas teóricas da respectiva especialidade. A responsável pelo programa (e por diversos outros cursos pagos) é a Fundação Faculdade de Medicina (FFM), entidade privada dita “de apoio” às atividades da FMUSP e que há décadas controla inteiramente a gestão do HC.
A FMUSP concordou em reduzir o número de vagas anuais oferecidas pelo “Experiência HC” de 2 mil para 1 mil, além de retirar o Hospital Universitário (HU) do programa e limitar a participação de estudantes externos(as) a um mês de atividades. A contraproposta apresentada pelos(as) estudantes durante a negociação era de reduzir a oferta para somente 500 vagas por ano.
Em comunicado divulgado depois da reunião da última terça-feira, a Diretoria da unidade havia defendido que era preciso “avançar para uma nova etapa, passando das discussões para a implementação dos encaminhamentos acordados nas reuniões de 30 de abril e 20 de maio”, como o “processo de revisão curricular”, “criação de uma comissão para discutir questões relacionadas ao HU” e “avaliação do Programa Experiência HC pelas pró-reitorias de Graduação e de Cultura e Extensão Universitária da USP, incorporando as pautas apresentadas pelos estudantes”.
As partes acordaram que o fornecimento de vagas por especialidades no “Experiência HC” deve ser aprovado pelos departamentos correspondentes, em reunião ordinária desses colegiados. Também será criada uma comissão de “aprimoramento contínuo”, que poderá apurar infração das normas do programa.
Em relação ao HU, a Diretoria da FMUSP concordou com a criação de uma comissão de acompanhamento, formada por alunos(as), para apresentação de demandas, verificação de ações e diálogo com a Diretoria Executiva do hospital.
O superintendente do HU também deve acompanhar os encaminhamentos e participar do diálogo institucional com a comissão discente, cujas pautas serão levadas ao Conselho Deliberativo do hospital.
No comunicado do dia 26, a Diretoria fez uma ameaça velada à continuidade da formação dos(as) estudantes ao alertar para “os riscos acadêmicos decorrentes da continuidade da paralisação, especialmente diante das especificidades dos cursos da FMUSP, que são integrais e dependem de atividades práticas cuja reposição exige disponibilidade de campos, equipes, horários e condições institucionais específicas”.
Assim como havia feito ao publicar comunicado anterior, referente à reunião realizada com os(as) estudantes no dia 20 de maio, na mensagem mais recente a Diretoria condicionou a “validade” das propostas à decisão pelo final da greve.
De acordo com a direção, não será adotada “qualquer medida de retaliação acadêmica ou administrativa aos estudantes em razão da participação na greve ou nas mobilizações” e haverá “diálogo permanente com os estudantes para buscar soluções responsáveis, factíveis e compatíveis com a qualidade da formação médica”.
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