“Carta de São Luís”, resultante do 69º Conad, define derrota da extrema-direita como prioridade política, e cita ação brutal da PM na Reitoria da USP como exemplo de criminalização das lutas em defesa da educação pública
Encontro reuniu cerca de 300 docentes no Maranhão (foto: Andes-SN)

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgou na semana passada a Carta de São Luís, que resume alguns dos debates e deliberações do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Reunido sob o tema “Guarnicê – a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita”, o evento contou com mais de 300 docentes de diversas regiões do país e resgatou as memórias de lutas do Maranhão, como a Balaiada.

O documento define como prioridade política a derrota das candidaturas de direita e extrema-direita já no primeiro turno das eleições deste ano. “No Brasil, essa conjuntura de crise do capital e avanço global da direita e da extrema-direita nos desafia a atuarmos com firmeza para impedir esse avanço nas ruas e nas urnas. Torna-se necessário avançar nas mobilizações sociais contra os ataques fascistas, contra a política de austeridade que leva a cortes orçamentários na saúde, na educação e em tantas outras políticas públicas fundamentais, como moradia e reforma agrária, que paulatinamente estão sendo reduzidas. Ainda é imprescindível continuar na luta pela garantia dos direitos da classe trabalhadora e ampliar a pressão para a aprovação do fim da escala 6×1, com redução da jornada para 30 horas, sem redução salarial”, ressalta o texto.

A carta também reforça a campanha “Lutar não é crime”, em resposta à criminalização da atuação docente e aos recorrentes ataques às universidades públicas. Como exemplo, cita a ação da Polícia Militar de São Paulo durante a recente greve estudantil na USP, que culminou na violenta desocupação da Reitoria na madrugada do Dia das Mães.

“A reação do governador de São Paulo, notoriamente uma gestão da extrema-direita, diante da greve estudantil e de docentes em defesa da educação pública, nos demonstra que a cartilha fascista é sempre a mesma: repressão e criminalização dos movimentos em defesa da educação. Não se pode olvidar a repressão brutal com a invasão da Reitoria pela PM no Dia das Mães, como ocorrido na USP”, diz o documento.

“De fato, não se ignora como o setor de educação em todos os níveis no estado de São Paulo têm sido palco de ataques sistemáticos de grupos de extrema-direita. Com razão reafirmamos neste Conad a campanha Lutar Não é Crime!”, prossegue a carta.

A entrada do Andes-SN no Fórum Nacional de Educação (FNE) e a adoção do ecossocialismo como uma bandeira central do Sindicato Nacional frente à crise ambiental e do capital também são destacadas no texto.

Em relação à conjuntura internacional, a carta reforça que o avanço do imperialismo estadunidense em países da América Latina exige uma atuação firme contra os projetos da extrema-direita em países como Colômbia, Chile, Peru e Argentina. O documento menciona as ações de solidariedade do Andes-SN, como a participação no 1º de Maio em Cuba e a ajuda à Venezuela através do Fundo Único, em razão dos terremotos que atingiram o país.

O documento informa que o 69º Conad atualizou o plano de lutas dos setores das Estaduais, Municipais, Distrital e Federais (Iees, Imes, Ides e Ifes), e aprovou uma série de políticas voltadas para docentes aposentadas e aposentados, além de ações de combate ao feminicídio, entre outras decisões.

A Adusp foi representada no encontro pelos professores Marcelo De Luca Ribeiro, 2º vice-presidente da entidade, e Celso Eduardo Lins de Oliveira, ambos docentes da FZEA.

O próximo Conad será realizado em Campinas, com organização local da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp).

(Com informações do Andes-SN)

EXPRESSO ADUSP


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