Reforma total do prédio da FE-USP, que levaria anos, é uma das alternativas apresentadas pela Reitoria em reunião com representantes da faculdade após ato que cobrou providências da gestão
Comunidade da FE-USP cobrou ação da Reitoria (foto: Daniel Garcia)

A Reitoria da USP se dispôs a participar de uma reunião aberta a ser agendada na Faculdade de Educação (FE-USP) para discutir a situação do prédio da Biblioteca “Celso de Rui Beisiegel”, que enfrenta uma verdadeira calamidade desde maio, quando uma inundação causada por fortes chuvas provocou danos à estrutura do prédio e ao acervo. O formato do encontro será definido pela comunidade da FE-USP.

Esse foi um dos encaminhamentos de uma reunião realizada no final da tarde desta segunda-feira (28/9), quando uma comissão de representantes da FE-USP foi recebida na Reitoria após um ato organizado por estudantes, docentes e funcionários(as) que cobrou soluções para a situação da biblioteca.

A comissão da FE-USP foi formada pelas professoras Kimi Tomizaki e Fabiana Jardim e pela servidora Adriana Weigel, representante dos(as) funcionários(as) na Congregação da unidade.

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Participantes levaram baldes, rodos e guarda-chuvas em alusão à situação atual do prédio

A vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci, o coordenador-executivo do Gabinete do Reitor, Gustavo Curcio, e a superintendente da Superintendência do Espaço Físico (SEF), Sheila Walbe Ornstein, representaram a Reitoria.

A reunião não estava agendada e nem mesmo havia previsão de que ocorresse. A intenção da comissão da FE-USP era, no final do ato, somente protocolar na Administração Central o abaixo-assinado “É preciso barrar o desastre na Biblioteca da FE-USP!”, que recolheu mais de 2,3 mil adesões na Internet. Ao se informarem a respeito do protocolo, as representantes da faculdade foram comunicadas pelo cerimonial, na portaria do prédio, que seriam recebidas pela Reitoria, o que demonstra que a mobilização da comunidade produziu efeitos na direção da universidade.

Licitação emergencial poderia demorar mais do que a atual, alega Reitoria

De acordo com as representantes da FE-USP, a Reitoria explicou que não pretende realizar uma licitação emergencial para o conserto do telhado porque esse processo levaria mais tempo do que aquele ainda em andamento.

O telhado do prédio apresentava goteiras e vazamento desde o final de 2024. No início de 2025, a equipe da biblioteca chegou a colocar uma piscina plástica no segundo andar para conter a água de uma goteira. Atualmente, há outras duas piscinas plásticas no edifício.

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Comissão foi recebida pela vice-reitora, superintendente da SEF e coordenador do gabinete

A Bellacon Construtora e Incorporadora foi a empresa vencedora da licitação para a reforma do telhado, que finalmente começou em maio deste ano. Porém, ainda em suas primeiras intervenções, a empresa retirou telhas e não providenciou uma cobertura provisória, o que ocasionou a calamidade vivida na biblioteca desde as fortes chuvas do dia 10 de maio, domingo do Dia das Mães.

A USP rescindiu o contrato com a Bellacon, iniciou os trâmites da licitação para convocar outra empresa para assumir a obra e tem avaliado a documentação de todas as que se qualificaram. Essa análise precisa ser feita individualmente e por ordem de classificação. De acordo com a Reitoria, ainda faltaria finalizar a avaliação de cinco empresas.

Devido ao processo licitatório ainda em andamento, a Procuradoria-Geral da USP entende que a abertura de uma licitação emergencial levaria mais tempo e poderia suscitar insegurança jurídica.

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Daniela Pires, chefe técnica da biblioteca, levou baldes e lona para ilustrar estado de alerta permanente

A proposta da SEF é de que, se nenhuma das empresas for contratada na atual licitação, não se abra novo processo licitatório para o conserto do telhado, mas sim uma licitação para a reforma de todo o prédio, que sofreu vários danos estruturais, como queda de placas do forro e infiltração de água em toda a rede elétrica.

No momento, há uma obra em andamento para instalação de uma cobertura provisória, que não tem relação com a licitação da reforma do telhado.

O processo de reforma de todo o prédio implicaria, claro, a interdição da biblioteca por um longo prazo — alguns anos, certamente. A proposta da Reitoria é de fornecer os recursos financeiros para que a FE-USP retire todo o acervo de cerca de 250 mil exemplares da biblioteca, incluindo cerca de 60 mil obras raras e especiais, e o transfira para contêineres a serem instalados no câmpus ou para um prédio a ser alugado na vizinhança da Cidade Universitária.

Além de proteger o acervo, a medida permitiria que estudantes e pesquisadores(as) pudessem voltar a consultar os livros. A biblioteca está fechada para o público desde maio. A escolha do caminho a ser adotado será da própria faculdade.

Manifestação denunciou problemas em outras bibliotecas

O ato organizado pelos três setores da FE-USP partiu da Portaria 1 da Cidade Universitária por volta de 16h30min, fez uma parada em frente à faculdade, na Avenida da Universidade, e seguiu pela Avenida Professor Luciano Gualberto até a Reitoria. O presidente da Adusp, Márcio Moretto Ribeiro, participou da manifestação.

Vário(as) participantes carregavam objetos que remetem à atual situação vivida pelos(as) servidores(as) da biblioteca, como baldes, rodos, guarda-chuvas e pedaços de lona plástica. Duas viaturas da Guarda Universitária e uma da Polícia Militar acompanharam a manifestação ao longo de todo o trajeto.

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Ato seguiu da Portaria 1 até a Reitoria

Com o ritmo dado pelos instrumentistas da bateria Batimeduca, os(as) participantes cantavam refrões como “Quatro meses sem telhado é baixaria / vamos lá, uma resposta, Reitoria” e “Ô, Aluísio, me leva a sério / Vamos fazer a biblioteca no seu prédio”, em alusão ao reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado.

Na chegada à Reitoria, a manifestação teve sequência, com a abertura da palavra aos e às participantes.

Daniela Pires, chefe técnica da biblioteca da FE-USP, citou algumas das reivindicações contidas no abaixo-assinado entregue à Administração da universidade. “Além de nos dizer o que não pode ser feito, queremos que a Reitoria nos diga o que pode ser feito para a gente barrar esse desastre pelo qual estamos passando”, propôs. “A cada chuva e a cada garoa ficamos num estado de alerta permanente, enxugando e puxando água dentro do prédio da biblioteca.”

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Faixas e cartazes criticavam os 4 meses de interdição da biblioteca

O pesquisador Sérgio José Custódio, que fez mestrado na FE-USP, ressaltou que “é extremamente simbólico e grave que na principal universidade da América Latina a biblioteca, casa da liberdade, casa do conhecimento, casa das gerações que passaram, das gerações que vivem e das gerações que virão, esteja sendo tratada pela Reitoria e pelo governo do estado com desdém e com total desprezo”.

Custódio carregou na manifestação um exemplar de seu livro Pés descalços, sobre a lei de cotas, resultante de sua tese de doutorado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O exemplar foi um dos cerca de 3 mil volumes molhados na chuva de maio.

Outros(as) oradores(as) também mencionaram o descaso da Reitoria com a gestão do acervo cultural da USP, citando problemas em bibliotecas de unidades como a FFLCH, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e a Escola de Comunicações e Artes (ECA).

EXPRESSO ADUSP


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