Reunião de 29/9 entre estudantes, GT de negociação e o diretor Sebastião dos Santos (de paletó)

Assembleia geral do Centro Acadêmico Davi Capistrano (CADC), da Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU), realizada na tarde desta quarta-feira, 30 de setembro, decidiu por ampla maioria encerrar a greve por melhores condições de ensino iniciada no último dia 22.

A direção da FMBRU, por sua vez, anunciou, em nota, que “não adotou nem adotará qualquer medida de retaliação acadêmica ou administrativa aos estudantes em razão da participação na greve ou nas mobilizações”, e que se compromete a “viabilizar a reposição das atividades acadêmicas”, bem como a manter “diálogo permanente com os estudantes para buscar soluções responsáveis, factíveis e compatíveis com a qualidade da formação médica”.

Em seu perfil no Instagram, o Comitê de Greve informou que a deliberação se deu após a realização de reuniões consecutivas, nos dias 28 e 29, entre a representação discente, de um lado, e de outro lado o Grupo de Trabalho criado pelo diretor da unidade — e que contaram, também, com a participação do próprio diretor e da presidenta da Comissão de Graduação.

As reuniões foram gravadas em vídeo e estão disponíveis em canal próprio no YouTube. O CADC, contudo, ainda não emitiu nota a respeito das negociações, que envolveram uma extensa pauta de reivindicações do corpo discente do curso de Medicina.

O denominado “Grupo de Trabalho para Oitiva das Demandas dos Estudantes da Faculdade de Medicina de Bauru”, integrado por sete docentes e cinco servidoras(es), foi criado pela Portaria 14/2026 do diretor pro tempore da FMBRU, José Sebastião dos Santos, assinada em 24 de setembro. O GT é coordenado pelo professor Adriano Yacubian Fernandes e tem prazo inicial de 30 dias para concluir seus trabalhos.

Embora algumas reivindicações importantes do movimento pareçam ter sido atendidas, as reuniões evidenciaram a resistência da direção da unidade a ouvir as críticas e considerações da representação discente, especialmente quando estudantes pediam a definição de prazos. Na reunião do dia 29, Sebastião interveio tantas vezes, fazendo falas ríspidas e de teor recriminatório, que um representante estudantil solicitou mudança no tom empregado pelo diretor, para que o diálogo pudesse prosseguir de modo produtivo.

As conversas evidenciaram que sequer existe, ainda, o projeto executivo do prédio da FMBRU, cuja construção é uma das principais reivindicações apresentadas pelo movimento. Atualmente as aulas são lecionadas nas dependências da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), unidade onde o curso de Medicina foi locado inicialmente, quando de sua criação em 2017.

Por enquanto, a direção da unidade não sabe nem mesmo em qual ponto do câmpus da USP de Bauru será construído o edifício. “A gente precisa ter autorização para construir, essa é uma questão. Aí você precisa fazer o pré-projeto, ouvir quem vai habitar aquele local. Isso está dado, isso é um processo”, disse Sebastião, alegando que é uma “inverdade” afirmar-se que o assunto não foi pautado pela direção, uma vez que ele editou portaria e constituiu um GT incumbido de conduzir essa questão. “Construir hoje não é simples, você precisa de autorização de várias instâncias”, tergiversou.

Ainda dirigindo-se à representação estudantil, ele acrescentou que o assunto foi tratado em reunião ocorrida algumas semanas antes, com a participação da presidenta do CADC: “E aí falamos: precisamos ver os terrenos, [ver] para quem precisamos pedir licença para construção. Agora, o que o diretor precisou fazer, buscar uma área, montar um grupo de trabalho, definir o que vai ser feito lá — o que vocês estão pedindo já está dado. Eu não posso fazer mágica”. Por fim, comprometeu-se a pautar a questão na próxima reunião do Conselho Gestor do câmpus, presidido por ele.

Nesse momento um estudante pediu para falar, tecendo um contraponto à narrativa de Sebastião. “Se a gente pede mais [celeridade no projeto de construção], é porque leu a portaria do GT e não viu o prazo para ele ser encerrado”, explicou. “Pode não existir esse prazo, pode ser um GT que dure dois meses ou dois anos, [mas] a gente só gostaria de ter uma sinalização para os estudantes, porque é muito triste vir para esse câmpus e por mais que a gente se adapte, que goste do ambiente da FOB, não ter um espaço de identificação”. Ele citou duas exceções: a antiga sede do Santander e o prédio da Tutoria, os únicos espaços claramente identificados como pertencentes à FMBRU.

“Então, até para nossa identificação, nosso pertencimento, o pedido anterior que era a ampliação da Tutoria, e a questão do nosso prédio, vêm muito nesse sentido: a gente precisa se sentir pertencente a esse espaço”, prosseguiu o aluno. Ele citou que o anfiteatro da FOB, que vem sendo utilizado para as colações de grau do curso de Medicina, é muito reduzido para as turmas de 60 alunos e suas respectivas famílias.

“Então quando a gente pede um prazo não é um prazo ideal, [ou] que a gente quer que resolva de hoje para amanhã. A gente quer saber qual a prioridade”, enfatizou. “Porque já ouvi do sr., professor Sebastião, que prédio não era prioridade, e eu concordo. Docente é mais prioridade do que prédio. Só que para nós estudantes tão importante quanto docente é a gente ter um prédio. A gente coloca no mesmo nível. Por isso essa ânsia por entender quando, como, por quem, qual a via para fazer isso acontecer”.

EXPRESSO ADUSP


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