Universidade
Provocadores de extrema-direita voltaram a agir no prédio da História e Geografia, e só se retiraram depois que a FFLCH chamou a Polícia Militar
Nesta quinta-feira, 8 de outubro, um grupo de provocadores de extrema-direita percorreu dependências do edifício de História e Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), realizando interações agressivas e intervenções no ambiente da unidade.
“Depois de quase um ano sem ocorrências desse tipo, hoje, o vão do edifício de História e Geografia e seu entorno foram novamente espaço de ações provocadoras de grupos de extrema-direita”, declarou, em nota intitulada “Ação provocadora de hoje em espaços da Faculdade e providências urgentes”, a direção da FFLCH.
“Em torno das 11 horas da manhã, um grupo de pessoas vestidas de preto penduraram, do andar superior, uma tela com uma imagem religiosa de grande tamanho, que representava Jesus Cristo e o Sagrado Coração, e começaram a percorrer o vão tentando filmagens com pessoas para que falassem da presença dessa imagem”, destaca a nota.
“Como é costumeiro na ação desses grupos, faziam interpelações agressivas gravando e filmando pessoas sem permissão, para levantar cortes de autopromoção nas redes, e produziam xingamentos buscando reações violentas. No prédio, havia, nesse momento, contingentes de escolas de ensino médio que participavam da Semana de Geografia”.
Além de “chamar a Guarda Universitária para inibir confrontos”, prossegue a nota, a direção da unidade “indicou que a tela fosse retirada e guardada na Zeladoria, principalmente porque sua colocação, feita por pessoas alheias à comunidade, não parecia ser motivada por uma devoção religiosa, mas apenas cenografia para o conjunto da ação provocadora que era desenvolvida”.
Os provocadores, porém, reagiram: “Alguns membros do grupo, em aberto desacato, arrancaram a tela das mãos do funcionário que a levava. O grupo continuou gravando, sem autorização, imagens de pessoas, apesar das advertências de estarem violando legislação da Universidade (Resolução USP 6431/2012), até que se retiraram depois da chegada da Polícia Militar e do registro dos seus dados”.
Depois de relatar o acontecido na sessão do Conselho Técnico Administrativo (CTA), a direção encaminhou diversas medidas, entre as quais registrar ou solicitar o registro de Boletins de Ocorrência individuais — do diretor, de outros servidores que foram ilegalmente filmados, e de outras pessoas (docentes e estudantes) que foram filmadas, com a finalidade de instaurar um novo processo na Procuradoria Geral (PG-USP).
Além disso, serão colocadas, “no início das rampas e de outros acessos do Edifício Eurípides Simões de Paula, com urgência, barreiras com indicação de que pessoas externas não podem atravessar sem autorização”. Tais barreiras, “que a Faculdade tentará providenciar com a maior rapidez, têm a finalidade de propiciar uma ação mais imediata das forças de segurança e de facilitar a identificação desse tipo de ações como desacato”. Nos finais de semana, esse controle será mais rigoroso e toda pessoa deverá identificar-se com os vigias.
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