Debate
A Batalha do Xingu: índios em luta por rio e mata ancestrais
“A Batalha do Xingu” foi o tema de uma palestra do professor Arsênio Oswaldo Sevá Filho realizada no dia 21/8, no anfiteatro André Jacquemin da FFCL de Ribeirão Preto, por iniciativa da Adusp Regional. Seu objetivo: discutir os projetos hidroelétricos do Xingu, um dos rios que formam a complexa bacia hidrográfica amazônica.
Munido de farto material visual, o professor Sevá apontou as principais características geomorfológicas daquela região. Em seguida, fez uma comparação entre o potencial do rio Xingu e o de outros importantes rios, para demonstrar os impactos socioambientais que ocorrerão caso a barragem de Volta Grande seja concretizada. Segundo Sevá, a construção desse empreendimento trará sérias conseqüências à vida das populações locais, pois acabará com o que ele denomina de monumento hidrofluvial.
Na segunda parte da exposição, Sevá apresentou um relato do que ocorreu no Encontro dos povos indígenas e movimentos sociais da bacia do rio Xingu. Este evento aconteceu em Altamira (Pará) em maio de 2008 e teve grande repercussão, pois um engenheiro da Eletrobrás saiu ferido. Para Sevá, esse fato ocorreu porque os indígenas não compreendiam por que os brancos voltaram a discutir projetos de construção de hidroelétricas na bacia do rio Xingu: para eles, esse era um assunto que havia sido encerrado mais de vinte anos atrás.
No final da palestra abriu-se um debate, ocasião em que muitos levantaram questões referentes às alternativas de geração de energia para o país. Ao responder a essas questões, Sevá deixou claro que os projetos de geração de energia devem ser pensados não apenas do ponto de vista da oferta, mas principalmente do consumo. Segundo ele, há energia suficiente para atender as demandas da população brasileira nos próximos anos.
As pressões por grandes hidroelétricas advêm basicamente dos grupos empresariais ligados à área de mineração e siderurgia que têm interesse em se valer da energia mais barata para reduzir custos e ampliar seus lucros, sem qualquer relação com as demandas reais de energia da população brasileira. As estatísticas referentes ao consumo mostram que o país depende cada vez menos de grandes hidroelétricas, na opinião de Sevá, para quem uma alternativa inteligente seria retomar as Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCH’s).
Matéria publicada no Informativo nº 267
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