Sarau
Sarau teve lançamento de livro sobre mercantilização da universidade
Foi realizado no dia 30/9 mais um sarau da Adusp. O encontro marcou o lançamento do livro A Mercantilização da Universidade, de Claudia Pereira de Pádua Sabia (Ed. Arte & Ciência). Claudia é administradora e professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Oeste Paulista e o livro é fruto de sua tese de doutorado, na qual ela estudou projetos de cooperação universidade-empresa na Unesp.
“Num primeiro momento, por eu ser administradora, eu tinha uma ideia bastante ingênua de que essa interação poderia ser virtuosa”, conta a autora. “Só que à medida que eu comecei a avançar na investigação, comecei a ver que a maneira como as ações eram desenvolvidas — a não especificação, a omissão dos documentos, a dificuldade de se conseguir entrevistas com os docentes envolvidos –, todas essas questões me levaram a me distanciar completamente da minha ideia inicial, porque eu vi o que acontecia. As empresas e um grupo pequeno de docentes se beneficiando, em detrimento de toda a universidade”.
Claudia conta que teve muita dificuldade para conseguir informações. O estatuto da universidade, o regimento geral e o regimento da extensão não regulavam a interação com o setor produtivo e os responsáveis pelas fundações que administram as verbas dos projetos não davam entrevistas. “Foi muito grande a dificuldade em conseguir informações, porque toda a regulamentação é omissa e permissiva, na maioria dos casos”, avalia.
A pesquisadora cita como exemplo a questão das horas trabalhadas pelo docente e da remuneração recebida em decorrência dos projetos de cooperação, cuja regulamentação permissiva deixa brechas para que não haja um controle das atividades. Outra questão é a da propriedade intelectual (PI), uma vez que a maioria dos contratos não prevê uma contrapartida para o uso da infraestrutura da universidade, mesmo após a Lei de Inovação de 2004 definir que 50% dos direitos de PI devem ficar com a instituição. Além disso, a maioria dos projetos não continha justificativa, planilha de custos ou previa o recolhimento de taxa de contribuição pela universidade. “Se continuar da maneira como eu encontrei, o processo de privatização vai andar a passo largos”, sentencia.
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