Conjuntura Política
Decotelli renuncia antes mesmo de tomar posse no Ministério da Educação
30/06/2020 18h52
Carlos Alberto Decotelli da Silva não é mais ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Ele renunciou nesta terça-feira (30/9), depois que sua posse foi adiada pelo governo e sua posição se tornou insustentável, tal a quantidade de fraudes detectadas no seu Currículo Lattes. Trata-se de um novo revés para o governo Bolsonaro, que procurou apresentar Decotelli como alguém de perfil inovador, afeito ao diálogo, mas ao mesmo tempo um “gestor” capaz.
Alguns veículos de mídia chamaram, elegantemente, de “inconsistências” ou “incoerências” as inverdades encontradas no currículo de Decotelli depois que a Universidade Nacional de Rosário (Argentina) e a Universidade de Wupertall (Alemanha) desmentiram seus alegados títulos de, respectivamente, doutor e pós-doutor. O que ficou evidente, porém, é se trata de uma completa fraude.
A última revelação estonteante partiu da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Durante o fim de semana, a FGV anunciou que vai apurar a denúncia de plágio na dissertação de mestrado [defendida por Decotelli]. A faculdade também afirmou que ‘Decotelli foi professor colaborador dos cursos de pós-graduação lato sensu da FGV. Não tinha vínculo com a FGV’, diferentemente do que informava seu currículo”, registrou o site Congresso em Foco.
“Que triste página para a história do Ministério da Educação”, comentou no Twitter a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais. “Antes, um ser abjeto, que aparelhou o MEC para uma guerra fria contra as universidades e a ciência [referência a Abraham Weintraub]. Agora, um malandro contumaz. Ao cabo, a culpa máxima ainda é de quem tem o poder da caneta”.
Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!
Mais Lidas
- Adusp ajuíza ação civil pública que questiona cálculo da USP para pagamento do 13º salário a docentes aposentados(as)
- Estudantes são feridos em novo ataque da extrema-direita à USP, protagonizado pelo vereador Lucas Pavanato (PL) e seus seguranças
- Extrema-direita cresce no Congresso, elege os governadores de Sudeste e Sul e busca vencer 2º turno da eleição presidencial; disputa entre Lula e Flávio definirá se Brasil continuará, ou não, democrático e soberano
- Provocadores de extrema-direita voltaram a agir no prédio da História e Geografia, e só se retiraram depois que a FFLCH chamou a Polícia Militar
- Assembleia Geral da Adusp na próxima terça-feira (13/10) debate eleição presidencial e financiamento das universidades estaduais a partir das mudanças provocadas pela reforma tributária