Defesa da Universidade
Co ignora petição e deixa HRAC fora da pauta
A reunião de 3/3 do Conselho Universitário (Co) foi iniciada com a manifestação do reitor M.A. Zago, que leu trechos do documento de fundação da USP em 1934, reafirmando a sua atualidade. Em seguida apresentou um balanço de seu primeiro ano de gestão, salientando suas ações no sentido de promover “democratização” (sic) e “transparência” (sic). A EACH foi citada a respeito da interdição. O reitor apresentou na sequência uma avaliação (pessimista) das perspectivas financeiras da universidade e reafirmou a necessidade de cortes de despesas. Concluiu comentando o Plano de Metas para 2015.
A seguir falou o vice-reitor V. Agopyan a respeito do PIDV que teve a adesão prevista, segundo ele, e cujo custo atual seria de cerca de R$ 300 milhões (abaixo, portanto, da previsão original de R$ 400 milhões). Depois manifestou-se o presidente da Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP), professor Adalberto Fischmann, que anunciou revisão no orçamento em função de quedas na receita e alta da inflação. Revisões de acompanhamento da economia foram anunciadas para abril e outubro deste ano, para debater eventuais reajustes.
Seguiram-se votações para completar a composição das comissões estatutárias do Co: Comissão de Legislação e Recursos (CLR), COP, Comissão de Atividades Acadêmicas (CAA), Comissão de Ética e Conselho Superior da Fapesp.
Na parte seguinte da reunião, na qual os conselheiros podem inscrever-se para falar, manifestaram-se diversos membros do Co, entre os quais os representantes da EEL, que reclamou da falta de docentes, e da FMRP, que pediu maior transparência e participação no Plano de Metas para 2015.
Creches e desmonte
Bruno Rocha, representante dos funcionários técnico-administrativos, criticou o cancelamento de matrículas nas creches da USP, supostamente motivado por falta de pessoal, como também ocorreu em bandejões e no HU, no que chamou de “processo de desmonte e privatização da universidade”. Criticou, ainda, a não inclusão do tema da desvinculação do HRAC na pauta do Co, apesar de petição assinada por 26 membros.
Em seguida, o professor Luiz Menna-Barreto, representante da Congregação da EACH, também pronunciou-se sobre o HRAC, pontuando a contradição expressa em manifestações públicas do governador, nas quais se manifestou contrário à transferência tanto do HRAC como do HU para o Estado.
O representante dos professores doutores, professor José Renato Araújo, foi outro que protestou contra a negativa de inclusão do tema do HRAC na pauta, além de comentar a situação nas creches e o fato de ser um único representante para mais de 3 mil doutores.
As três manifestações a respeito do HRAC foram ignoradas pelo reitor e demais integrantes da Reitoria, que não se dignaram a respondê-las.
A seguir, representantes discentes e representantes dos funcionários técnico-administrativos reafirmaram insatisfação com a situação nas creches e comentaram a ocupação da Incubadora na EACH. Contudo, uma das representantes discentes que havia se inscrito para falar foi simplesmente impedida pelo reitor, que suspendeu a sessão por cinco minutos. A estudante, então, decidiu ler uma carta a respeito da ocupação da Incubadora para o plenário relativamente esvaziado, sendo contestada pela diretora da EACH, sempre nesse intervalo de cinco minutos.
“Foi uma situação constrangedora que ilustra o clima no Co quando se trata de avaliar ou debater reivindicações de estudantes e servidores”, segundo avaliou depois o professor Menna Barreto.
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