Condições de trabalho
USP terá segurança de presídio. Iluminação? Só em 2013
Novamente por intermédio da mídia, desta vez por matéria publicada em O Estado de S. Paulo (4/6), é que a comunidade acadêmica tomou conhecimento de novas medidas de segurança na USP. Guaritas situadas em plataformas elevadas que garantem aos vigilantes visão total nos estacionamentos e cancelas duplas para barrar a circulação de pedestres no período noturno fazem parte do plano elaborado pelo novo superintendente de segurança, o coronel PM Luiz de Castro Júnior.
As torres terão sistema de luz, com holofotes para guiar o usuário até seu veículo, e sistema de som, com alto-falantes espalhados pelo estacionamento para a comunicação entre a torre e o motorista. Entre os estudantes, o sistema está sendo comparado aos utilizados em presídios de segurança máxima.
A princípio, as cancelas funcionarão somente no período noturno, como uma barreira dupla. A segunda cancela só é liberada após o registro de identificação da pessoa. Atualmente, apenas quem possui carteirinha USP pode entrar no campus após as 22 horas, porém Castro Júnior não descarta mudanças. “Quanto ao tipo de trabalho já executado, não temos nenhuma orientação diferente das já existentes. Estaremos verificando as necessidades para, se for o caso, adequarmos condutas em relação à segurança”, disse o superintendente de segurança ao Informativo Adusp.
Oficial reformado, mestre e doutor em ciências policiais, Castro Júnior busca se resguardar de eventuais críticas: “Saliento que todas as medidas a serem implementadas serão de ordem técnica, de acordo com as necessidades, dentro dos preceitos de transparência, legalidade e aceitabilidade. Vamos construir juntos a cultura de paz”.
Percepções
Segundo o coronel, os próximos passos na elaboração do plano de segurança serão desenvolvidos “de acordo com as percepções da comunidade uspiana”. “Estamos em tratativas com o Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da USP para desenvolvimento de pesquisa que busque identificar aspectos a serem trabalhados”, diz Castro Júnior.
Quanto à iluminação do campus, outra medida prevista para o plano de segurança, a assessoria de imprensa da USP informou que o projeto está em licitação para o início das obras a partir do segundo semestre. “A proposta é de que o novo sistema de iluminação seja instalado gradativamente, com conclusão prevista para abril de 2013, em São Paulo, e junho de 2013, nos outros campi”.
Em maio último, quando se completava o primeiro aniversário do assassinato do estudante Felipe Paiva num estacionamento mal iluminado da Faculdade de Economia e Administração (FEA), o Tribunal de Contas do Estado suspendeu o edital de licitação do sistema de iluminação da USP, por haver fortes indícios de direcionamento (favorecimento a uma determinada empresa). A USP, então, cancelou o edital, mas não há notícia de que tenha aberto sindicância para apurar as suspeitas de direcionamento.
As datas anunciadas pela Reitoria indicam que iluminar adequadamente o campus nunca foi uma prioridade da atual gestão. A implantação gradual da iluminação só terminará quase dois anos após o crime ocorrido na FEA, utilizado pela Reitoria para “justificar” a presença permanente da PM no campus.
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