Conjuntura Política
Temer contra a parede
Uma denúncia exposta pelo jornal O Globo na noite de 17/5 abalou o governo Temer (PMDB). Segundo o jornal, gravações de áudio entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria Geral da República (PGR) pelos empresários Joesley e Wesley Batista, proprietários do grupo JBS, flagram Temer em dois diálogos comprometedores, que revelam seu envolvimento direto em atos de corrupção. As conversas aconteceram durante reunião ocorrida em 7/3 no Palácio do Jaburu.
Num dos diálogos, Joesley comunica ao presidente que comprou o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, presos pela Operação Lava Jato, e Temer lhe diz: “Tem que manter isso, viu?”. Comete, assim, crime de obstrução da Justiça. O outro diálogo envolve o presidente interino em tratativas de corrupção da JBS no CADE, órgão federal, pelas quais um emissário seu recebeu R$ 500 mil.
No dia 18/5, o ministro Edson Fachin, do STF, autorizou inquérito para investigar o presidente. Na tarde do mesmo dia, Temer fez um pronunciamento oficial em que se declarou inocente e anunciou enfaticamente que não renunciaria ao cargo.
A crise política alastra-se enquanto fechamos esta edição, com as notícias de possível renúncia de ministros, pedidos de impeachment, articulação de eleição presidencial indireta pelo PSDB e outros agrupamentos de direita, e, inversamente, realização de atos “Fora Temer” e por eleições diretas já em diversos pontos do país.
Outro político duramente afetado pelas novas denúncias foi o senador Aécio Neves (PSDB), gravado enquanto pedia R$ 2 milhões a Joesley. Aécio foi afastado do mandato pelo STF em 18/5. Sua irmã, a empresária Andréia Neves, e seu primo foram presos por envolvimento direto no caso.
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