Defesa da Universidade
Uso de máscaras em locais fechados continua sendo obrigatório na USP
Em comunicado datado de 20/3, a Reitoria da USP determina que as máscaras cirúrgicas ou N95, “bem ajustadas ao rosto cobrindo do nariz ao queixo”, serão obrigatórias para estudantes, docentes e funcionários(as) técnico-administrativos(as), prestadores de serviços e visitantes “nos ambientes fechados da Universidade, incluindo salas de aula, auditórios, museus, laboratórios, bibliotecas, locais de atendimento ao público e setores administrativos da Universidade” (destaque nosso).
Nesta semana, dezenas de milhares de estudantes retornaram às atividades presenciais nos câmpus da USP. Também estão voltando ao trabalho presencial milhares de docentes que, em razão da pandemia,desenvolveram suas atividades por meios remotos em 2020 e 2021.
A determinação da Reitoria é correta e entra em conflito com o decreto 66.575, publicado em 17/3 pelo governador João Doria (PSDB), que desobriga a população a usar máscaras em locais fechados, à exceção daqueles relacionados ao transporte público e de estabelecimentos de saúde.
Assinado pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Jr., o comunicado diz basear-se na Portaria Interministerial 14/2022, no decreto estadual 66.897, de 17/3/2022, nas “especificidades do ambiente universitário” e na avaliação da Comissão Assessora de Saúde da Reitoria.
“Essa determinação foi decidida por analogia ao estabelecido para usuários de transporte público (número elevado de pessoas no mesmo ambiente, circulação restrita de ar, proximidade física e tempo de permanência prolongado)”, diz o reitor, talvez buscando atenuar o contraste com o decreto do governador.
Alvo da crítica de pesquisadoras(es), a decisão de Doria tem caráter “marqueteiro” com vistas à sua candidatura a presidente da República nas eleições de outubro próximo. Só isso explica o fato de o decreto 66.575 ter sido publicado em edição suplementar do Diário Oficial do Estado dedicada exclusivamente a esta matéria.
Apesar da orientação adequada no tocante às máscaras, na USP ainda há problemas pendentes no retorno às atividades presenciais, como a Assembleia Geral da Adusp de 16/3 evidenciou.
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