Defesa da Universidade
“Hotel USP”, enclave bancário e arrocho salarial
A Folha de S. Paulo informou, em sua edição de 12/5, que a USP “vai construir um hotel com 150 vagas e um centro de convenções dentro da Cidade Universitária”, para “atender à demanda de professores, visitantes e conferencistas que passam pela universidade e para atender as empresas instaladas no eixo da marginal Pinheiros”.
Ainda de acordo com o jornal, o hotel terá categoria três estrelas, 120 apartamentos e 30 suítes, “com diárias girando em torno de R$ 100, com a possibilidade de uma expansão para mais 80 a cem vagas, de acordo com a procura”.
Contará com três auditórios, “salas divididas em módulos e uma somente para videoconferência, lanchonetes e estacionamentos, com três pavimentos acima do solo”. A obra do centro de convenções terminaria em até três anos. “Além de receber eventos da própria USP, o centro de convenções poderá abrigar eventos privados”, acrescenta a reportagem, informando que foi reservada área de 8.000 m2 para o estacionamento.
Financiamento por PPP?
A Folha ouviu o coordenador de espaço físico da USP, professor João Cyro André, que declarou não haver definição, ainda, de como se dará o financiamento da obra e o gerenciamento do complexo. Mas, segundo o jornal, “os estudos já indicaram que tanto o centro de convenções quanto o hotel são viáveis”.
O jornal informou que o mais provável é que a USP elabore “um modelo de PPP (parcerias público-privadas), já utilizado pelo governo do Estado”, para financiar o projeto, ofertando-o à iniciativa privada, que reteria uma parte do lucro, “mas com garantias jurídicas para que a USP mantenha controle sobre o fluxo financeiro do empreendimento”.
Assim, após a recente criação de um formidável enclave bancário na USP, a Reitoria parece pretender a ampliação dos espaços privados no campus da capital, com a edificação de um hotel e de um centro de convenções cujos “estudos”, levados a cabo à revelia da comunidade universitária, parecem indicar ser empreendimento “viável” — para, como vimos, “atender as empresas instaladas no eixo da marginal Pinheiros” e “abrigar eventos privados”.
A idéia de concretizar o projeto por intermédio de uma PPP agrava as coisas: basta ver como a concessão de rodovias estaduais tornou-se um formidável negócio — para os consórcios de empreiteiras.
Enquanto isso, o Cruesp comunica ao Fórum das Seis que… não tem proposta salarial a fazer!
Matéria publicada no Informativo nº 213
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