Defesa da Universidade
Superintendente do Hospital Universitário recebe em audiência GT Saúde da Adusp
O Grupo de Trabalho de Saúde da Adusp (GT Saúde) foi recebido em audiência, no dia 5/4/2018, pelo superintendente do Hospital Universitário da USP (HU), professor Luiz Eugênio Garcez Leme (FM), e por seus assessores Walter Cintra Peneira Júnior (médico do IOT/HC), Luiz Eduardo (Divisão Médica), Paulo Francisco Ramos Margarido (FM), Dalton Luiz de Paula Ramos (FO) e Lucy Christine Maeda Hirata (médica reumatologista do HU).
Pelo GT Saúde estiveram presentes Michele Schultz, Cláudio Alvarenga (ambos diretores da Adusp), Lighia Horodynski Matsushigue e Márcia Regina Car.
Após as apresentações, o superintendente abriu a reunião mencionando que estavam, nessa mesma manhã, reunidos com o pessoal do Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde (Proahsa), que está fazendo levantamento de dados sobre o HU desde 2014.
Esclareceu que HU faz dois tipos de atendimentos: USP e Sistema Único de Saúde (SUS). Mencionou que naquele momento estavam exercendo os cargos havia apenas um mês, e que foi nomeado a partir de uma lista tríplice submetida ao Conselho Deliberativo do HU, presidido pelo diretor da FM, professor José Octavio Auler, e ao reitor.
Garcez afirmou que o nome do seu projeto é: “O HU é da USP!”. Admitiu que o hospital enfrenta desafios gerenciais como falta de pessoal e, em grau menor, deficiência de material. Disse considerar o HU um equipamento de ensino importante para sete diferentes unidades da USP, na área da Saúde; que a vocação é de ensino integrado, interprofissionalizante; enfatizou: “HU realiza ensino, pesquisa e assistência!”.
Membros do GT Saúde questionaram: “Está funcionando?”, ao que Garcez respondeu: “Não, por vários motivos”. O grande problema, disse, é a escassez de recursos humanos, sendo mais problemáticos os setores de Anestesia, Clínica Médica e Pediatria. Os equipamentos do hospital estão no limite da vida útil, mas a manutenção está em dia, na sua avaliação.
Ao ser questionado sobre novos pacientes, esclareceu que emergências e algumas urgências estão sendo atendidas, mas o ambulatório continua fechado para novos pacientes. Informou que foi preciso deslocar médicos da internação e dos consultórios para a emergência e atendimento na unidade de terapia intensiva (UTI).
“Participação da comunidade”
Garcez declarou ao GT Saúde que pretende exercer uma “administração participativa”, com “participação da comunidade”.
Apresentou o professor Dalton Ramos como o responsável pela humanização do hospital e interface com graduandos. Informou que haverá uma Comissão de Gestão, coordenada por seu assessor Walter Peneira Jr., especialista em administração hospitalar, professor da Fundação Getúlio Vargas e ex-residente do HU (das primeiras levas de estudantes que por lá passaram, na década de 1980).
Ao se retirar da reunião, em função de outros compromissos, Garcez passou a palavra para Walter Peneira Jr. Ao assumir a coordenação da reunião, e após esclarecer que não pertence ao quadro do HU, ele externou seu entendimento de que o HU é um equipamento sofisticado e que atendimentos ambulatoriais não deveriam ser feitos no hospital. Colocou uma pergunta: “O que o HU deve fazer?” e apresentou como resposta que não deveria ser “atender a consultinhas” (sic).
Ainda segundo Walter Peneira Jr., o HU foi mutilado pelas políticas da última gestão da Reitoria e as demissões pelo PIDV tiveram como consequência pedidos de demissão por burnout. A ação emergencial necessária, explicou, é repor o quadro, conforme o levantamento realizado pelo Proahsa.
À pergunta “Como?”, respondeu: “Problema da USP!”. Ele reconheceu que a qualificação do quadro profissional do HU é muito boa e que encontrou equipes competentes e dedicadas, reiterando informação dada anteriormente por Garcez.
Ao serem questionados sobre a interlocução com a comissão mencionada pelo reitor Vahan Agopyan em entrevista ao Jornal da USP (que seria formada por representantes das fundações privadas FIA e FIPE e da Faculdade de Medicina), tanto o superintendente quanto o assessor Walter Peneira Jr. esclareceram que essa comissão fora anunciada antes da nomeação de Garcez. Mais: o Conselho Deliberativo do HU, a quem está formalmente subordinado o superintendente, negou-se a aceitar tal comissão.
A equipe de Garcez mencionou que o orçamento do HU, que em 2010 era de cerca de R$ 140 milhões, passou para cerca de R$ 240 milhões em 2013, porém nos últimos anos vem decrescendo. Esclarecem que os plantonistas recebem como hora-extra, mais adicional noturno. Os médicos são contratados como técnicos de nível superior, na carreira da USP.
“Governança segue na USP”, diz assessor
Walter Peneira Jr. garantiu, na conversa com os membros do GT Saúde, que a governança do HU não será transferida, e ressaltou o papel do SUS, por exemplo na regionalização. Mencionou a possibilidade de ser construída uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Vila São Remo, no entorno da Cidade Universitária do Butantã.
Houve contato com a Prefeitura para cessão de terreno para a UPA nas proximidades da Unidade Básica de Saúde (UBS) já existente na Vila São Remo. No entanto, faltam verba e autorização para a construção e funcionamento dessa UPA.
O assessor reforçou qual seria o fluxo adequado de atendimento à saúde: primário nas UBS; secundário no HU; terciário (casos de solução mais complexa) no HC.
Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!
Mais Lidas
- Greve estudantil na Faculdade de Medicina de Bauru expõe precariedade das condições de ensino; as aulas do curso ainda acontecem na FOB e número de funcionários e docentes é insuficiente
- Adusp promove debates online, nas próximas terça (22/9) e quinta (24/9), entre chapas que concorrem à eleição de representantes das categorias docentes no Conselho Universitário
- Na segunda, 28, comunidade da Faculdade de Educação realiza ato público em defesa de sua Biblioteca; teto cedeu em maio e chuvas podem destruir o acervo, mas Reitoria retarda obras
- No lugar dos livros, piscinas plásticas e baldes: desde maio, a Biblioteca da Faculdade de Educação vive uma rotina de emergências, sem solução rápida da Reitoria para restaurar o telhado do prédio
- Conflito de interesses? Docente da FD e ministro do TSE, Floriano de Azevedo Marques Neto é advogado da Google em ação no Supremo Tribunal Federal que envolve as “big techs”