Realizado no dia 10 de dezembro, na Sala de Vídeo da Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), o evento “A COP 30 em debate: a participação dos movimentos sociais”, promovido pelo Grupo de Trabalho Políticas Agrárias e Socioambientais (GTPAS) da Adusp, revelou a existência de visões bem diferentes, na própria mesa de debatedores, sobre a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, ou COP 30.

De um lado, Luciana Abade Silveira, representando a organização da COP 30, apresentou uma avaliação positiva da conferência, à qual também se somou Camila Queiroz Milani, doutoranda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) que participou da Cúpula dos Povos. De outro lado, André Felipe Simões, professor do curso de Gestão Ambiental da EACH, teceu duras críticas a certas omissões do evento.

Simões considera que, apesar de alguns avanços registrados na COP 30, a questão crucial do fim gradativo dos combustíveis fósseis, responsáveis por cerca de 80% das emissões de gases do efeito estufa no planeta, não foi abordada. O professor participou das delegações oficiais brasileiras de seis COPs e, desde 2007, é revisor dos relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCCC).

Negacionistas climáticos, os EUA compareceram, esclareceu o docente, “mas enviaram representantes de quarto, quinto escalão, sem poder para assinar nada”. A seu ver, a incidência real dos movimentos sociais nas salas fechadas da COP 30 onde se realizaram reuniões decisivas foi praticamente nula. “O jogo é muito pesado. Não é culpa da COP, não é culpa do governo brasileiro”, asseverou.

“No meu ponto de vista, a COP-30 foi um acerto retumbante do ponto de vista das relações exteriores brasileiras”, sustentou Camila. “Um dos carros-chefes das relações exteriores do atual governo é o multilateralismo. Então, a realização de um evento dessa magnitude, pautando uma discussão de suma importância, está muito coerente” com essa linha política, disse. Outro acerto seria a sinalização de mudanças na governança dos fóruns internacionais, graças ao surgimento de novos protagonistas. A pesquisadorea criticou a cobertura da mídia e a “falácia” de que a COP-30 fracassou. “Foi aprovado um texto final por consenso de 195 países, com avanços relevantes”.

Uma cobertura mais detalhada do debate de 10 de dezembro será publicada numa edição especial da Revista Adusp sobre a mudança climática, que circulará no primeiro semestre de 2026. A íntegra da discussão está disponível no YouTube (confira aqui).

EXPRESSO ADUSP


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