Na próxima quarta-feira, 10 de dezembro, a partir das 17h, na Sala de Vídeo da Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), será realizado o evento “A COP 30 em debate: a participação dos movimentos sociais”, promovido pelo Grupo de Trabalho Políticas Agrárias e Socioambientais (GTPAS) da Adusp. O debate será presencial, mas quem quiser poderá participar remotamente por meio deste link.

Os painelistas serão Luciana Abade Silveira, coordenadora-geral de Mobilização da COP 30; Camila Queiroz Milani, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP); e André Felipe Simões, professor do curso de Gestão Ambiental da EACH-USP.

No entender do GTPAS, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, conhecida como COP-30, realizada entre 10 e 22 de novembro de 2025 em Belém do Pará (portanto, em plena Amazônia), trouxe alguns avanços, considerando o conjunto dos eventos que lá tiveram lugar, independentemente dos espaços oficiais previstos, particularmente em termos de participação de movimentos sociais, que pautaram a transição justa, a justiça racial e de gênero.

“Cabe ressaltar que a palavra ‘afrodescendentes’, pela primeira vez numa COP, está presente em diversos documentos finais da COP 30, o que, de fato, representa um marco histórico relevante. Além disso, indiscutivelmente, foi positiva a Declaração de Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas, que foi pactuada por 12 países durante a COP 30 (Chile, Brasil, Uruguai, Finlândia, Suécia, Canadá, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Espanha, França e Alemanha); tal declaração objetiva combater a desinformação e o negacionismo climático por meio de ações concretas, como a proteção de jornalistas e cientistas, o incentivo à cooperação internacional e o apoio à democratização da mídia”, destaca o GTPAS.

No entanto, a despeito desses avanços, o texto final nada contém a respeito da premente necessidade de que se inicie a eliminação da produção e do consumo de combustíveis fósseis (phase-out of the fossil fuels), cuja combustão gera muito expressivas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Mais de 70% da emissão global de GEE deve-se ao setor energético, o qual, globalmente, é majoritariamente fóssil — cerca de 85% da matriz energética global, atualmente, é composta por carvão mineral e seus derivados, petróleo e seus derivados, e gás natural.

Nesse contexto, prossegue o GTPAS, a COP 30 passou longe de enfrentar a principal causa do aquecimento global e das mudanças climáticas. “Os cientistas presentes na COP 30, em uníssono, comentaram que está havendo desacoplamento entre os achados (e as recomendações) da ciência climática e as negociações climáticas multilaterais. Outros aspectos negativos inerentes à COP 30 referem-se ao fato de o texto final da COP 30 não conter nada mais explícito sobre o tão fundamental combate ao desmatamento, e também não houve uma evolução concreta sobre a questão do financiamento climático, tão essencial para os países mais socioeconomicamente vulnerabilizados, os quais são tipicamente dependentes da implementação de ações de adaptação climática”.

Daí a necessidade de debater-se em que medida os movimentos sociais e, de modo mais amplo, a participação da sociedade civil, efetivamente, influiu no espaço decisório da COP 30, ou seja, na Zona Azul (Blue Zone). “Cabe ainda analisar a pressão em prol de (mais) ambição climática, justiça socioambiental, justiça socioeconômica e justiça climática emanada pelos movimentos sociais a partir de espaços ou eventos, direta e/ou indiretamente, vinculáveis à COP 30 — tais como a Zona Verde, a Agrizone, a Aldeia COP, e, indiretamente, a Universidade Federal do Pará (UFPA) onde se realizou a importante Cúpula dos Povos”.

Quem são os painelistas indicados pelo GTPAS

Doutor e pós-doutor em Planejamento Energético, André Felipe Simões é professor dos programas de pós-graduação em Energia, no Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP); em Sustentabilidade, na EACH; e em Mudança Social e Participação Política, idem. Revisor, desde 2007, dos relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCCC). Participou, como integrante da delegação brasileira, de seis COPs, incluindo a COP 30, a Cúpula dos Povos e a Marcha pelo Clima. É integrante do GTPAS-Adusp.

Jornalista, Luciana Abade Silveira atua na área ambiental há mais de duas décadas. Foi assessora especial do Ministério do Meio Ambiente e coordenadora de comunicação em organizações do terceiro setor. Atuou em grandes conferências internacionais, tendo participado de nove COPs, sete delas voltadas à questão do clima.

A bióloga Camila Queiroz Milani vem pesquisando a centralidade do Brasil na transformação ecológica global. É coautora do livro Guerra e Paz: Crise Orgânica, Geopolítica e o Brasil (com Aluisio Pampolha Bevilacqua e Julia Pereira Bevilacqua). É articuladora do Núcleo pela Transformação Ecológica do Comitê de Lutas da Favela do Nhocuné.

EXPRESSO ADUSP


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