Movimento Sindical
Nossa Caixa demite dirigente sindical
Dirceu Travesso, dirigente da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), foi demitido do Banco Nossa Caixa em 8/5, sem justa causa ou justificativa. “Este é, sem dúvida, um dos maiores ataques contra a organização sindical dos trabalhadores do país nos últimos anos, entre tantos outros, e acontece semanas após a legalização das centrais sindicais pelo Ministério do Trabalho”, declarou a Conlutas.
Dirceu, ou Didi como é conhecido, destacou-se como diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, e fez parte da executiva nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que ajudou a fundar. Posteriormente, rompeu com esta central para fundar a Conlutas, da qual tornou-se um dos principais dirigentes nacionais. Também é coordenador do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB- Conlutas). Militante do PSTU, foi candidato desse partido ao governo de São Paulo em 2002 e a deputado federal em 2006, sempre com críticas às gestões privatizantes das últimas diretorias da Nossa Caixa.
Privatização
A Conlutas considera que a demissão de Didi é parte do processo de privatização da Nossa Caixa, que o governador José Serra pretende levar adiante (seu antecessor, Geraldo Alckmin, deu início à venda do banco): “Neste momento a diretoria está buscando demitir os funcionários que já estão aposentados sem garantir novas contratações, levando a Nossa Caixa a uma condição mais precária para atender a população do estado”.
A demissão ocorreu a apenas 10 dias do término do prazo de inscrição das chapas que disputarão as eleições do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ao qual Didi é filiado e cuja presidência disputou em 2005. A Conlutas, a exemplo da eleição anterior, pretende inscrever uma chapa.
Há algumas semanas, a Conlutas, que realizará o seu congresso no início de julho, solicitou à direção da Nossa Caixa a liberação sindical de Dirceu Travesso. A Conlutas enviou ofícios em abril e no dia 6/5, solicitando a liberação, apoiada na legalização das centrais pelo governo. A resposta do governo Serra, dois dias depois do último ofício, veio na forma da demissão de Didi, em vez de respeitar o direito democrático e a organização sindical dos trabalhadores.
Matéria publicada no Informativo n° 259
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