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Diretoria do Andes-SN se solidariza com docentes perseguidas(os) por prestarem apoio ao povo palestino
Em nota emitida nesta segunda-feira (23/10), a Diretoria Nacional do Andes-Sindicato Nacional dos Docentes nas Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) manifesta seu repúdio à iniciativa do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que na última sexta-feira (20/10) enviou à Embaixada dos Estados Unidos uma lista de brasileiros(as) “que, publicamente, já manifestaram apoio ao Hamas”. Além de parlamentares e ativistas ligados à causa palestina, a lista inclui docentes do ensino superior.
A nota situa o episódio no contexto do conflito israelopalestino e da correspondente movimentação de setores da extrema-direita no Brasil, e informa que o Sindicato Nacional está à disposição de docentes que queiram ou precisem de apoio para as providências cabíveis: “O Andes-SN já mobilizou sua comissão de enfrentamento ao assédio e perseguição para dar guarida a qualquer necessidade de docentes perseguidos por suas posições de solidariedade às lutas do povo palestino, avaliando medidas necessárias para lidar com o caso”.
Leia a seguir a íntegra do documento.
Mesmo com a desidratação moral e política de sua principal liderança, a guerra promovida por Israel contra o povo palestino serviu para reavivar algumas das expressões mais espúrias do neofascismo brasileiro. O belicismo, o endosso ao genocídio e a perseguição a educadoras e educadores se reanimam em nosso país em uma suposta cruzada contra o “terrorismo”.
Dentre as mais recentes iniciativas da extrema-direita está a de um deputado federal — conhecido por ter sido condenado por divulgação de mais de 1.600 vídeos de fake news— que expediu ofício à Embaixada dos Estados Unidos denunciando supostos apoiadores do Hamas. O documento se sustenta em reportagem de origem duvidosa que trata de manifesto de 2020 em que signatárias/es/os se colocam contrários à definição conferida pelo Reino Unido ao Hamas enquanto grupo terrorista. Na lista de signatárias/es/os encontram-se parlamentares, entidades e muitos docentes que são parte da base do Andes-SN.
Poderia ser apenas mais uma espetacularizada manifestação da extrema-direita, que por certo não traria maior impacto concreto aos seus atacados, não fosse a intencionalidade explícita de causar dano, por meio de restrição de direitos e persecução.
O Andes-SN se solidariza e se coloca à integral disposição dos professores e professoras membros de nossa base nominados no referido documento, que em seu legítimo direito de opinião questionaram uma caracterização política que não goza de nenhuma objetividade, mas sim é fruto de uma particular compreensão do conflito israelopalestino. Também nos solidarizamos com todas/es/os citados no documento, em especial estudantes, demonstrando que o ofício também é uma violência contra a academia e a produção de conhecimento crítico.
O Andes-SN já mobilizou sua comissão de enfrentamento ao assédio e perseguição para dar guarida a qualquer necessidade de docentes perseguidos por suas posições de solidariedade às lutas do povo palestino, avaliando medidas necessárias para lidar com o caso.
Seguiremos lutando pela emancipação humana em todo o mundo, contrários às práticas de perseguição e nos manifestando contra as intervenções colonialistas e as articulações imperialistas que visam, mais do que tudo, a promoção de uma limpeza étnica de palestinos e palestinas em Gaza e na Cisjordânia.
Todo apoio aos professores e professoras atacados por mais uma ofensiva da extrema-direita no Brasil! Todo apoio àqueles e àquelas que lutam por um mundo livre!
Não retrocederemos na defesa incondicional das liberdades políticas e intelectuais das/des/dos nossas/es/os!
Palestina livre!
Brasília (DF), 23 de outubro de 2023.
Diretoria do Andes-Sindicato Nacional
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