Nota da Diretoria
Sobre os eventos de 8 de junho
Manifestamos solidariedade aos funcionários e funcionárias que foram expostos a situações de risco nos eventos ocorridos na noite de 8 de junho nos Blocos K e L da Administração Central da USP. Nenhuma mobilização em defesa da universidade pública justifica ameaças e agressões a trabalhadores no exercício de suas funções.
Em que pese ser necessário distinguir eventuais excessos cometidos no contexto de mobilizações sociais da violência institucional de Estado, ambas as formas de violência devem ser condenadas. A intervenção da Polícia Militar contra estudantes, como observado no recente episódio de desocupação da Reitoria, configura uma violência institucional e incompatível com os princípios democráticos que devem reger a vida universitária. Isso, no entanto, não autoriza nem relativiza ameaças ou agressões contra trabalhadores, que também devem ser repudiadas.
A Adusp reconhece a legitimidade das pautas estudantis — que incluem a defesa da permanência estudantil, dos restaurantes universitários, da moradia, das bolsas e a garantia de não retaliação —, bem como a importância das instâncias coletivas de deliberação do movimento. A ação em questão, realizada à margem desses fóruns democráticos, fragiliza a construção coletiva da luta e expôs estudantes e trabalhadores a graves riscos.
Reafirmamos nossa posição contrária à criminalização do movimento estudantil, defendendo que episódios como o ocorrido nos blocos K e L não sirvam de pretexto para perseguições, punições ou medidas repressivas contra os estudantes. Além disso, consideramos fundamental o respeito às decisões emanadas das instâncias deliberativas do DCE, componente do Fórum das Seis.
Ademais, é preciso pontuar que as formas de ação política devem ser avaliadas em sua especificidade. Danos ao patrimônio público não compõem a orientação defendida pela Adusp, embora possam assumir diferentes significados em contextos de luta social. Já, ameaças e agressões contra indivíduos comprometem a integridade física e moral da comunidade universitária e, por essa razão, são intoleráveis sob qualquer pretexto.
Diretoria da Adusp
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