Orçamento
Por aclamação, Conselho Universitário da Unicamp aprova manifesto do Fórum das Seis que propõe modelo de financiamento das universidades públicas estaduais baseado em percentual da Receita Tributária Líquida
Nesta terça-feira, 29 de setembro, o Conselho Universitário (Consu) da Unicamp aprovou por aclamação manifesto do Fórum das Seis que propõe que “a base de cálculo para o financiamento das universidades públicas paulistas seja a Receita Tributária Líquida (RTL) do estado de São Paulo, a exemplo do que está previsto para a Fapesp”, e que, para efeitos da contabilidade do Estado, “o montante da arrecadação do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), a ser implantado pela reforma tributária, seja conceituado como tributo”.
O manifesto do Fórum das Seis foi apresentado no Consu pela professora Sílvia Gatti, presidenta da Associação dos Docentes da Unicamp (ADunicamp). O reitor Paulo César Montagner sugeriu, então, que a proposta fosse aprovada sem discussão e por aclamação.
O modelo atual de financiamento, baseado no repasse anual de 9,57% da Quota-Parte do Estado do ICMS, precisa ser substituído, uma vez que a reforma tributária determinou a extinção gradual do ICMS e sua substituição pelo IBS. A base de cálculo sugerida pelo Fórum das Seis tem como referência o Artigo 271 da Constituição paulista: “O Estado destinará o mínimo de um por cento de sua receita tributária à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo [Fapesp], como renda de sua privativa administração, para aplicação em desenvolvimento científico e tecnológico” (destaques nossos).
A partir da análise da arrecadação do ICMS do período de 2012 a 2022, o GT Verbas da Adusp estimou que uma alíquota de 8,64% da RTL seria a mais adequada para garantir o financiamento anual satisfatório da USP, Unesp e Unicamp, em substituição do modelo hoje vigente. Um GT formado pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) teria formulado uma proposta similar.
A Unicamp é a segunda das universidades públicas estaduais a aprovar a proposta de financiamento baseado na RTL. No último dia 27 de agosto, também por aclamação, o Conselho Universitário da Unesp já havia referendado o manifesto do Fórum das Seis. Falta agora a manifestação da USP.
O texto agora convalidado pela Unesp e Unicamp afirma que “embora tenham enfrentado dificuldades financeiras ao longo das últimas décadas”, as três universidades públicas paulistas “vêm conseguindo funcionar com previsibilidade de recursos, o que foi e é determinante para que estejam no patamar de excelência em que se encontram”; que Unesp, Unicamp e USP “têm contribuído com cerca de um terço da produção nacional de ciência, tecnologia e pensamento crítico”; e que não obstante “a necessidade de eventuais aprimoramentos nesse modelo de financiamento das universidades estaduais paulistas, ele tem garantido concretamente a autonomia universitária assegurada pelo Artigo 207 da Constituição Federal de 1988”.
Frisa ainda que “para manter e avançar na sua missão de produzir ciência e tecnologia de qualidade, pensamento crítico socialmente relevante e profissionais altamente competentes, as universidades estaduais paulistas precisam de bases estáveis para o seu financiamento”.
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