Geral
A quem interessa a reforma açodada do Ensino Médio?
Na última quinta-feira, 9/2, logo após a retomada das atividades legislativas, o Senado aprovou, de forma açodada e por Medida Provisória (MP), algo inusitado: a reforma do Ensino Médio, etapa da Educação Básica especialmente importante, inclusive por constituir-se na porta de entrada para o Ensino Superior.
Por que a pressa? Por que as universidades públicas que oferecem Licenciaturas não foram ouvidas?
Será real a alegação de seus proponentes de que é preciso permitir a escolha (precoce?) entre cinco caminhos formativos, para jovens com interesses pretensamente já bem definidos?
Os indícios apontam o contrário e levantam suspeitas quando se verificam que não foi aceita nenhuma das centenas de emendas – apresentadas de forma recorrente, também nessa etapa no Senado – sobretudo duas delas:
- exigir que todos os conteúdos sejam oferecidos em cada escola, para haver efetiva possibilidade de opção;
- continuar exigindo que apenas professores com Licenciatura completa possam lecionar no Ensino Médio.
“Aperfeiçoamos o texto, acrescentando novo inciso ao art. 61 (da LDB), para possibilitar que os profissionais graduados, detentores de complementação pedagógica, possam também atuar no magistério.”
E, isso, após ignorar o forte questionamento de que “Achamos adequada, por exemplo, a inclusão dos profissionais com notório saber na lista dos que podem atuar na formação técnica e profissional, desde que reconhecidos pelos respectivos sistemas de ensino” que, por fim, parece não ficar restrita à opção de caminho formativo e, ademais, sua formulação sequer explicita a necessidade da graduação.
Para coroar: “Ainda acerca da docência, aproveitamos a oportunidade para retirar do art. 62 da LDB a exigência de que apenas em universidades e institutos superiores de educação se faça a formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica.”
A conclusão inevitável é que, frente à crescente escassez de recursos para a educação pública (aprofundada pela Emenda Constitucional 95/2016, que impõe restrições nos próximos vinte anos…), as condições tanto da Educação Básica como da Educação Superior serão ainda mais precarizadas.Está mais do que na hora de as Universidades públicas e suas unidades, principalmente as que abrigam Licenciaturas se manifestarem.
Alerta USP!
Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!
Mais Lidas
- Justiça mantém suspenso o concurso aberto pela FFLCH após anulação da nomeação da professora Érica Bispo, que completa um ano nesta semana
- Congregação da “Filô” acata relatório de comissão processante e aprova demissão do professor José Maurício Rosolen, acusado de assédio sexual
- Assembleia Geral exigiu pagamento dos retroativos do “Descongela Já”, sugerindo pedido de explicações à Reitoria, e discutiu estratégia para campanha da data-base
- Reitor demite Alysson Mascaro, que lecionava na Faculdade de Direito, depois de processo que investigou denúncias de assédio e abuso sexual de estudantes
- Servidores(as) do Centro Paula Souza denunciam precarização das condições de trabalho e “reforma da carreira” proposta pelo governo Tarcísio, que “vem para cassar direitos”