Universidade
Direção da EACH chama PM para retirar grupo de estudantes mascarados que tentou ocupar prédio da Administração; frente responsável pela ação critica DCE-Livre
A Direção da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) divulgou na quarta-feira (15 de abril) um comunicado para “esclarecer os fatos ocorridos” no prédio da Administração no final da tarde e início da noite de terça (14), dia que marcou o início da greve dos(as) servidores(as) técnico-administrativos(as) e a paralisação dos(as) estudantes.
De acordo com o relato, assinado pelo professor Marcelo Fantinato e pela professora Graziela Serroni Perosa, diretor e vice-diretora da unidade, pouco depois das 17h ocorreu a “entrada abrupta de um grupo de 10 a 15 indivíduos encapuzados, portando cabos de madeira e metal”. A ação foi protagonizada pela Frente Independente Marimbondo (leia abaixo).
“O grupo percorreu as salas exigindo a saída imediata de todos, sob a alegação de que o prédio seria ocupado. Em uma ação coordenada, eles fecharam o portão principal do edifício, trancando-o com corrente e cadeado. Enquanto a maioria se posicionou no saguão principal, dois indivíduos bloquearam a porta de vidro que dá acesso ao corredor das salas da Administração, impedindo que os servidores a fechassem”, prossegue o comunicado do diretor e da vice-diretora.
“A Direção e os servidores presentes se recusaram a abandonar o local de trabalho, gerando um impasse”, diz o comunicado, segundo o qual “os invasores apresentavam um comportamento visivelmente alterado e gritavam palavras de ordem”.
Não houve agressões físicas, prossegue, mas “evidente violência psicológica, coerção e grave intimidação”, com “a presença de indivíduos com rostos cobertos, portando objetos que poderiam ser usados como armas, e restringindo o direito de ir e vir”, o que “configurou um ambiente de inegável ameaça”.
De acordo com a Direção, a ação do grupo “causou profunda estranheza”, uma vez que no início da tarde “havia sido realizada uma reunião produtiva com os representantes oficiais do movimento estudantil da EACH acerca da paralisação”.
Depois de negociar saída do grupo, PM se dirigiu à assembleia de estudantes
Lideranças estudantis da unidade foram contatadas e afirmaram que “não reconheciam os indivíduos encapuzados e que a tentativa de ocupação não possuía a aprovação do movimento estudantil”.
“Os próprios invasores declararam não se sentir representados pelas lideranças oficiais, chamando-as de ‘burocratas’ e afirmando que agiriam por conta própria”, prossegue o comunicado.
O responsável pela Guarda Universitária na EACH consultou o superintendente de Prevenção e Proteção Universitária da USP, Manfredo Harri Tabacniks, professor do Instituto de Física (IF). De acordo com o comunicado, “a orientação técnica do setor de segurança foi favorável ao acionamento da PM”.
A Direção diz ter autorizado o acionamento da Polícia Militar com base “em três fatores críticos”: “o anonimato dos indivíduos (encapuzados), o que impossibilitava sequer confirmar se eram alunos da Universidade”; “o porte de cabos de madeira e metal, elevando o risco de confronto e danos”; e “a ausência de legitimidade do grupo, atestada pelo próprio movimento estudantil oficial”.
Alguns policiais militares entraram no edifício para “mediar o conflito e negociar a desocupação do prédio da Administração”. “Após o gerenciamento da crise, o grupo concordou em desocupar o prédio pacificamente”, relata a Direção da EACH.
Após deixar o prédio da Administração, parte do grupo encapuzado se dirigiu ao Prédio I1, onde estava prestes a ter início uma assembleia dos(as) estudantes. De acordo com o comunicado, “a PM, acreditando tratar-se do mesmo evento, deslocou-se para o local com a intenção de evacuar também o Prédio I1, principalmente porque parte dos indivíduos encapuzados saíram naquela direção”.
“A Direção da EACH interveio imediatamente junto ao comando da PM, esclarecendo que a assembleia estudantil era um ato legítimo e pacífico. Compreendendo a situação, a PM retirou-se do campus, por entender que seu dever já estava cumprido”, diz o comunicado.
A Direção da unidade registra um agradecimento a todos(as) os(as) servidores(as) técnico-administrativos(as) presentes no prédio durante a ocorrência: “Juntos nós formamos uma barreira física que impediu a ocupação completa das salas da Administração e a inviabilização dos trabalhos administrativos por tempo indeterminado. A postura firme, corajosa e resiliente de todos na defesa do bem público foi essencial. Se não fosse pela recusa coletiva em ceder à intimidação, o prédio teria sido tomado à força. A atuação de cada um foi determinante para que a situação fosse contornada e finalizada sem maiores consequências”.
O diretor e a vice-diretora finalizam o comunicado afirmando que têm “compromisso inegociável com o diálogo aberto, respeitoso e transparente com a comunidade e com o movimento estudantil legítimo”, ressaltando que “atos de violência e intimidação não serão tolerados”.
Movimento estudantil da EACH repudia ação do grupo
O movimento estudantil da EACH também divulgou comunicado, no qual cita reportagem publicada pelo portal Metrópoles a respeito do caso. De acordo com a nota, “elaborada e aprovada por um Grupo de Trabalho de Redução de Danos, constituído no âmbito do movimento estudantil após o infeliz ocorrido”, “os indivíduos envolvidos na ação relatada não representam o conjunto dos estudantes organizados da unidade”.
“Trata-se de um coletivo isolado, cuja iniciativa não foi deliberada nas instâncias legítimas de organização estudantil. Ressalta-se, inclusive, que tais indivíduos foram afastados dos espaços de construção da greve e da ocupação em curso, justamente por adotarem práticas que contrariam os princípios que orientam o movimento”, prossegue.
“O movimento estudantil da EACH-USP reafirma seu compromisso histórico com a atuação pacífica, organizada e baseada no diálogo institucional. As mobilizações em curso têm sido conduzidas com transparência e em interlocução permanente com a direção da unidade e com a Reitoria da Universidade de São Paulo”, diz o comunicado.
O movimento cita “as pautas que estruturam a atual mobilização”. Dentre elas, “apoio às reivindicações por reajuste salarial dos servidores técnico-administrativos”; “melhores condições no Restaurante Universitário, que atualmente possui ocorrências de insetos, pedras e mofo na comida”; “defesa do fim do contrato terceirizado do restaurante universitário da unidade, bem como a revisão dos contratos e editais vigentes”; “garantia de mais espaços institucionais para centros acadêmicos, diretórios acadêmicos e associações estudantis”; e “cumprimento dos compromissos firmados pela Reitoria no contexto da greve unificada de 2023”.
“Reiteramos nosso compromisso com a universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, e permanecemos abertos ao diálogo com a comunidade acadêmica e com a sociedade”, finaliza o texto.
Em postagem publicada no Instagram, a Frente Independente Marimbondo diz que “a greve de ocupação é uma tática histórica dos trabalhadores” e que, ao ser apropriada pelo movimento estudantil, “serve como base para importantes conquistas, ao reverter as greves de pijama chamadas por pelegos”.
O grupo, que se define como “frente independente da burocracia universitária e das amarras de partidos eleitoreiros” e “composta por filhas e filhos do povo, que não temem os joguinhos politiqueiros dos burocratas de plantão no movimento estudantil”, faz diversas críticas ao DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” e à ação da Polícia Militar.
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