“Diante da absoluta premência e justeza de se garantir condições equitativas de formação para estudantes com diferentes origens e trajetórias sociais, consideramos legítimo o núcleo central da pauta da greve estudantil deflagrada neste semestre, especialmente no que tange ao reajuste dos valores de bolsas, à necessidade de melhoria do funcionamento e qualidade do ‘bandejão’ e à falta de linhas de ônibus, especialmente para os cursos noturnos”.

Essa é uma das considerações da “Nota Pública das/des/dos docentes da Faculdade de Educação da USP”, divulgada nesta segunda-feira, 11 de maio, e assinada por cento e dois docentes da unidade. O documento repudia energicamente a violência desfechada pela Polícia Militar na madrugada de domingo, 9 de maio, contra o grupo de estudantes presentes na ocupação da Reitoria.

“Nós nos somamos, assim, às manifestações de diversas unidades, departamentos e docentes da USP que igualmente condenam a brutalidade e ilegalidade da reintegração de posse e exigem a retomada do diálogo e da mediação, que no ambiente acadêmico jamais deveriam ter sido suspensos de modo unilateral pela Reitoria”, diz a nota, que reafirma “o direito à greve estudantil e a sua reivindicação de que uma parte maior do financiamento público advindo do povo do Estado de São Paulo seja destinado à garantia da permanência na Universidade, em particular de estudantes oriundos/as das camadas mais vulneráveis da sociedade brasileira”.

A seu ver, a mobilização estudantil deve ser interpretada “não como afronta pessoal ou institucional, mas como forma legítima de luta em defesa da universidade, por meio da reivindicação de que todos e todas que a ela têm acesso possam igualmente usufruir de uma formação acadêmica de excelência”. Assim, a retomada do diálogo, por meio da reabertura da negociação entre a Reitoria e o movimento estudantil, “seria um importante passo na ampliação e no adensamento de uma cultura universitária, de fato, democrática; que suporta os conflitos e o dissenso sem a necessidade de retaliar ou criminalizar aqueles e aquelas que lutam por seus direitos”.

O documento enfatiza a necessária reabertura do diálogo e da negociação com o movimento estudantil “para que se supere o atual impasse” e reivindica “que não haja medidas que resultem em prejuízos acadêmicos e tampouco criminalização das e dos estudantes”.

A seguir a íntegra do texto.

Nota Pública das/des/dos docentes da Faculdade de Educação da USP

Manifestamos, por meio desta nota, nossa indignação e repúdio à ação violenta e inaceitável contra estudantes da USP na madrugada de 10 de maio (domingo do Dia das Mães) e nos solidarizamos com o movimento estudantil, que apresenta reivindicações justas. Nós nos somamos, assim, às manifestações de diversas unidades, departamentos e docentes da USP que igualmente condenam a brutalidade e ilegalidade da reintegração de posse e exigem a retomada do diálogo e da mediação, que no ambiente acadêmico jamais deveriam ter sido suspensos de modo unilateral pela Reitoria.

Perante a preocupante interrupção do diálogo da gestão da USP com estudantes, vimos reafirmar que a Universidade de São Paulo é uma instituição pública financiada pelos impostos da sociedade paulista, que tem como atividades-fim o ensino, a pesquisa e a extensão e que tem se tornado nos últimos anos, por meio de diferentes políticas de inclusão, uma universidade mais diversa e plural, com um número crescente de filhos e filhas da classe trabalhadora em seus cursos de graduação e pós-graduação. Essa alteração no perfil de seus discentes, que se deseja que alcance também o perfil do quadro docente, exige, no entanto, um progressivo aumento nos investimentos em políticas de permanência estudantil, o que já está em processo, mas sem atingir o patamar necessário.

Diante da absoluta premência e justeza de se garantir condições equitativas de formação para estudantes com diferentes origens e trajetórias sociais, consideramos legítimo o núcleo central da pauta da greve estudantil deflagrada neste semestre, especialmente no que tange ao reajuste dos valores de bolsas, à necessidade de melhoria do funcionamento e qualidade do “bandejão” e à falta de linhas de ônibus, especialmente para os cursos noturnos.

Por isso gostaríamos de reafirmar o direito à greve estudantil e a sua reivindicação de que uma parte maior do financiamento público advindo do povo do Estado de São Paulo seja destinado à garantia da permanência na Universidade, em particular de estudantes oriundos/as das camadas mais vulneráveis da sociedade brasileira, assegurando com isso uma das principais atividades finalísticas da USP: formar novas gerações de profissionais qualificados em todas as áreas do conhecimento.

Portanto, nos somamos às vozes que solicitam à Reitoria da USP a reabertura do diálogo e da negociação com o movimento estudantil para que se supere o atual impasse. Igualmente, reivindicamos que não haja medidas que resultem em prejuízos acadêmicos e tampouco criminalização das e dos estudantes.

Por fim, no espírito da última manifestação da Direção da FEUSP, consideramos que a mobilização estudantil deve ser interpretada não como afronta pessoal ou institucional, mas como forma legítima de luta em defesa da universidade, por meio da reivindicação de que todos e todas que a ela têm acesso possam igualmente usufruir de uma formação acadêmica de excelência. Assim, a retomada do diálogo, por meio da reabertura da negociação entre a administração central e o movimento estudantil seria um importante passo na ampliação e no adensamento de uma cultura universitária, de fato, democrática; que suporta os conflitos e o dissenso sem a necessidade de retaliar ou criminalizar aqueles e aquelas que lutam por seus direitos.

Abel Lopes Xavier

Adriana Dantas

Afrânio Catani

Agnaldo Arroio

Amaury Cesar Moraes

Ana Duboc

Ana Karina Checchia

Ana Laura Lima

Ana Luiza Jesus da Costa

Ana Paula Seferian

Ana Paula Zerbato

Anete Abramowicz

Antonio Joaquim Severino

Belmira Oliveira Bueno

Bruno Bontempi Junior

Carla Biancha Angelucci

Carmen Sylvia Vidigal Moraes

Carolina Mostaro

Caroline Fanizzi

Cássia Geciauskas Sofiato

Cecilia Hanna Mate

Cesar Augusto Minto

Celso F. Favaretto

Claudia Galian

Claudia Riolfi

Claudia Vianna

Cristiane Gottschalk

Cintya Regina Ribeiro

Daniel Cara

Denise Carreira

Dislane Zerbinatti Moraes

Eduardo Januário

Elaine Vidal

Elie Ghanem

Elizabeth dos Santos Braga

Emerson de Pietri

Emyly Kathyury Kataoka

Ermelinda Moutinho Pataca

Fabiana Jardim

Fábio Barbosa de Lima

Felipe de Souza Tarábola

Fernando Cássio

Iracema Santos do Nascimento

Ivanete da Hora Sampaio

João Francisco Migliari Branco

Juliana de Souza Silva

Julio Groppa Aquino

Júnio Hora

Katia Rubio

Katiene Nogueira da Silva

Kimi Tomizaki

Lúcia Sasseron

Luiz Renato

Manuella Carrijo

Marcelo Giordan

Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio

Maria Clara Di Pierro

Maria Isabel de Almeida

Maria Letícia Nascimento

Mariana do Berimbau

Marilia Pontes Sposito

Martha Marandino

Maurilane Biccas

Márcia Gobbi

Michel Torres

Milan Puh

Mille Caroline Rodrigues Fernandes

Mônica Caldas Ehrenberg

Neide Luzia de Rezende

Nelson Schapochnik

Núria Hanglei Cacete

Ocimar Munhoz Alavarse

Patrícia Aparecida do Amparo

Patrícia Dias Prado

Paula Perin Vicentini

Paulo Henrique Fernandes Silveira

Pedro Roberto Jacobi

Raquel Milani

Rena de Paula Orofino

Renan Godoi

Rita de Cássia Gallego

Rogério de Almeida

Romualdo Luiz Portela de Oliveira

Roseli Fischmann

Rosenilton Oliveira

Rubens Barbosa de Camargo

Sabrina Paixão

Salomão Ximenes

Sandoval Nonato

Sandra Zákia

Selma Garrido Pimenta

Sonia Castellar

Sonia Kruppa

Sylvia Lia Grespan Neves

Taís Araújo

Teresa Cristina Rego

Valdir Heitor Barzotto

Vera Lucia Marinelli

Vinicio de Macedo Santos

Vitor Henrique Paro

Vivian Batista da Silva

Viviane Pinheiro

EXPRESSO ADUSP


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