Até 17 de abril, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba, acolherá a XIII Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) e o Simpósio Latino-Americano de Agroecologia e Questão Agrária.

As atividades iniciaram no sábado, 11, no Assentamento Milton Santos, em Americana e Cosmópolis. Instalado desde 2005, ele é referência em produção agroecológica, com destaque para cultivo de hortaliças e frutíferas em sistemas agroflorestais. A Cooperflora, cooperativa local, mantém uma parceria com grupo de consumo solidário vinculado à Esalq, em típica iniciativa de caráter agroecológico. Desta maneira, cestas de alimentos frescos e saudáveis são distribuídos nas dependências da Adusp em Piracicaba. Além deste coletivo de consumo solidário, o assentamento fornece alimentos agroecológicos em toda a região, principalmente em Campinas, Paulínia e Americana.

A vivência no assentamento contou com um mutirão para plantio de árvores e plantas medicinais, reunindo estudantes da Esalq e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de voluntários de diversas origens. Trata-se de uma ação vinculada ao Plano Nacional de Plantio de Árvores e Produção de Alimentos Saudáveis, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que permitirá ainda prestar uma homenagem às vítimas do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, completando portanto 30 anos em 2026.

Quem participou teve a oportunidade de contar com alimentação agroecológica produzida no próprio assentamento, como mandioca, banana, abacate, entre outros produtos utilizados nas preparações culinárias. A ação foi realizada em parceria com o Serviço Social do Comércio de Piracicaba (SESC Piracicaba), que divulga a iniciativa como “Função Social da Terra e Sementes da Vida”.

A solenidade de abertura e a primeira mesa de debates acontecem nesta segunda-feira, 13 de abril, no Pavilhão de Engenharia da Esalq. A primeira noite de palestras e discussões focaliza a Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), realizada em fevereiro na Colômbia.

Participam do debate Osvaldo Aly, da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA); Cláudia Pilar Lizárraga, vinculada à JAINA, Universidade Autônoma Metropolitana e ao Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso); e Daniel Cordeiro Vieira, representando o MST e vinculado à Unicamp. Esta mesa inaugural sobre a conjuntura agrária, alimentar e socioambiental na América Latina será mediada pelo professor Paulo Eduardo Moruzzi Marques, coordenador do evento e diretor regional da Adusp.

Na terça-feira e na quarta-feira (14 e 15) ocorre o Simpósio, com a apresentação e discussão de 46 trabalhos acadêmicos e relatos de experiências. O enfoque das apresentações se dirige aos conflitos agrários e experiências do campesinato da América Latina, incluindo a atuação de movimentos socioterritoriais como parte relevante da sociedade civil organizada nos territórios rurais. Também serão abordadas políticas públicas voltadas à instalação de assentamentos e ao desenvolvimento rural em áreas de reforma agrária, bem como práticas agroecológicas em contextos de agricultura familiar e tradicional.

Simpósio Latinoamericano de Agroecologia terá 4 mesas temáticas

A programação se desdobra em quatro mesas temáticas. A primeira, “Conjuntura Socioambiental e Agrária do Brasil e da América Latina”, será realizada no dia 14, das 19h às 21h, com Guilherme Delgado, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Kallen Oliveira (MST) e a professora Vanilde Esquerdo, da Unicamp.

No dia 15, das 14h às 16h, ocorre a mesa “Comunidades Originárias e Tradicionais: Luta pelo Território”, com Carlos Frederico Marés, do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP) e Franciléia Paula, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com a mediação da professora Nathalia Nascimento, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq.

No dia 16, estão previstas duas mesas: a primeira às 14h, intitulada “Questão Agrária e Agroecologia na América Latina”, reunindo Oscar Soto, da Universidade Nacional de Cuyo (UNCuyo), Gustavo Setrini, da organização Heñoi do Paraguai, e Paulo Petersen, da AS-PTA, com mediação da professora Tayrine Brito, da Esalq; e às 16h, “Soberania Alimentar e Agroecologia: Experiências na América Latina”, contando com Carlos Vacaflores, da JAINA; Raquel Almeida, do Movimento Brasil Popular; Carolina Schiesari, do Agremal Esalq; e Wolney Felippe, da Unicamp.

Além das mesas e do simpósio, a JURA-Esalq contará com mais uma parceria com o SESC Piracicaba, que promove, no dia 15 às 19h, uma mostra de cinema com os documentários “Corte Seco” e “Vila África”. Os dois curtas-metragens abordam problemas socioambientais em Piracicaba relatados por múltiplas vozes, apresentando narrativas da luta simbólica de grupos sociais historicamente marginalizados no meio urbano e rural.

O encerramento da semana, dia 17 de abril, das 9h às 12h, será marcado por um minicurso sobre o método “Lume” de análise de agroecossistemas, ministrado por Paulo Petersen. A proposta do método é construir coletivamente instrumentos de análise econômico-ecológica a fim de evidenciar as relações que estruturam os modos de vida da agricultura familiar, em diálogo com perspectivas críticas da economia ecológica e da política feminista.

Com essa programação diversa, a JURA e o Simpósio Latino-Americano de Agroecologia e Questão Agrária assumem um caráter significativamente crítico, capaz de estimular a reflexão sobre posicionamentos políticos, o que é missão da USP. Em contexto de disputas de narrativas, conflitos militares e tensões geopolíticas com efeitos nos rumos do desenvolvimento agrário, intensificando pressões sobre os territórios latino-americanos, o evento propõe uma discussão aprofundada sobre soberania alimentar, reforma agrária e a construção de políticas públicas voltadas à agricultura familiar e aos povos e comunidades tradicionais.

A explicitação do caráter público do evento é uma preocupação de sua organização, com vistas a assegurar grande participação social, além daquela acadêmica, o que é esperado pela pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que o financia por meio do Programa de Apoio a Eventos no País. A parceria entre os programas de pós-graduação Interunidades em Ecologia Aplicada (Esalq e CENA/USP), Engenharia Agrícola (Unicamp) e Agroecologia e Desenvolvimento Rural (UFSCar) constituiu a base para tal apoio da Capes.

Mais informações e atualizações sobre o evento podem ser encontradas no instagram @juraesalq.

EXPRESSO ADUSP


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