Conjuntura Nacional
Manifestação vitoriosa contra Tarcísio reuniu milhares; governo mandou PM bloquear a marcha, mas depois recebeu estudantes
Nesta quarta-feira (20) à tarde, uma grande manifestação popular convocada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo atravessou boa parte da capital paulista para expressar o enorme descontentamento e indignação com uma série de medidas implantadas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos)-Felício Ramuth (PSD). O ato envolveu a participação de milhares de pessoas, que se concentraram no Largo da Batata, em Pinheiros, antes de se deslocarem em marcha para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi.

O eixo central da manifestação foi a denúncia da privatização e desmonte dos serviços públicos estaduais, simbolizados pela venda da Sabesp, concessões das linhas de Metrô e trens e “parcerias público-privadas” (PPPs) de gestão de unidades da rede pública estadual de ensino. Na conta dos devastadores ataques de Tarcísio ao ensino público entram também o programa de criação de “escolas cívico-militares”, a plataformização de conteúdos e a redução da verba vinculada destinada à educação, de 30% para 25% da receita tributária. Em outra frente, a da segurança pública, as estatísticas revelam um alarmante aumento da letalidade policial, em especial praticada pela Polícia Militar, e do número de feminicídios.

Na caminhada rumo ao Palácio, uma enorme faixa conjunta confeccionada pelos diretórios centrais de estudantes da USP, Unesp e Unicamp sintetizava diversas palavras de ordem: “Em defesa da educação, contra a violência policial e as privatizações — fora Tarcísio!”. Muitos cartazes empunhados por manifestantes, às vezes improvisados, faziam alusão à destruição do ensino público estadual protagonizada pelo governador e pelo secretário Renato Feder: “Tarcísio e Nunes [prefeito de São Paulo], inimigos da educação”, “Educação não é gasto, é investimento”, “Educar não é privatizar”, “Educação não é mercadoria”.

Houve forte presença de estudantes em greve da USP, Unesp e Unicamp. Funcionários(as) técnico-administrativos(as) e docentes das universidades, que se encontram em campanha de data-base, também participaram — na Unicamp, todas as categorias se encontram em greve, e na USP e Unesp docentes estão com indicativo de greve.
Entre estandartes e faixas conduzidos por estudantes da USP era possível divisar a presença de representações da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) e da Escola Politécnica (Poli), ao lado de outras como as dos centros acadêmicos do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e do curso de Ciências Moleculares (interunidades).

Embora as universidades disponham de ampla autonomia administrativa e financeira (e as negociações salariais sejam realizadas diretamente entre o Fórum das Seis e o Cruesp), os reitores da USP e Unicamp, Aluísio Segurado e Paulo César Montagner, e a reitora da Unesp, Maysa Furlan, foram nomeados pelo atual governador. Além disso, foi Tarcísio quem autorizou a violenta ação da Polícia Militar de desocupação, ou reintegração de posse, da Reitoria da USP na madrugada do dia 10 de maio.

No início da noite, numerosos contigentes da Polícia Militar, reforçados por barreiras de soldados da Tropa de Choque, bloqueavam o acesso dos manifestantes ao Palácio. Porém, após negociação, o governo aceitou, por volta das 20 horas, receber uma delegação estudantil. Representantes dos três diretórios centrais e também da União Nacional dos Estudantes (UNE) foram recebidos pelo chefe de gabinete da Casa Civil.

Na conversa, as lideranças estudantis reivindicaram que o financiamento das universidades seja ampliado, para que as políticas de permanência estudantil recebam recursos suficientes e seja garantida a valorização do corpo de docentes e de funcionários(as) técnico-administrativos(as). Também se colocaram contrariamente à autarquização dos hospitais universitários. “O que se demonstrou é que aquelas pessoas que estavam ali não têm conhecimento nenhum das universidades”, comentou um dos estudantes presentes sobre os representantes do governo.
A PM acompanhou toda a manifestação. Provocadores de extrema-direita acompanhados de seguranças, como o ex-deputado estadual Douglas Garcia, causaram alguns incidentes durante a caminhada, com troca de socos entre eles e manifestantes. Mas não houve incidentes entre a PM e manifestantes, nem prisões.
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