A proposta de homenagear o professor João Zanetic, dando o seu nome à atual Travessa 12 da Cidade Universitária do Butantã, será analisada pelo Conselho Gestor do Câmpus na quinta-feira da próxima semana (13 de agosto).

De acordo com a assessoria de Comunicação da Prefeitura do Câmpus Capital-Butantã (PUSP-CB), outras duas sugestões de nomes serão consideradas pelo Conselho Gestor, “cuja avaliação buscará garantir a pluralidade e a ampla representatividade no Câmpus”. A assessoria não informou quais são os outros nomes sugeridos.

Conforme portaria emitida pela PUSP-CB no dia 19 de junho, que dispõe “sobre as diretrizes e critérios para a denominação de logradouros no âmbito do Câmpus”, podem ser homenageados(as) “docentes, funcionárias/funcionários e estudantes da Universidade de São Paulo (USP) que tenham se destacado por sua trajetória acadêmica, administrativa ou social”.

O texto, assinado pela prefeita Claudia Terezinha de Andrade Oliveira, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU), reconhece “a atual disparidade de gênero e a sub-representação de minorias nas denominações vigentes, o que demanda ações para a promoção da equidade e da diversidade”.

A portaria diz que “a mobilização da comunidade universitária e local será valorizada no processo de escolha de nomes para os logradouros” da Cidade Universitária.

“A apresentação de abaixo-assinado, devidamente subscrito por membros da comunidade interessada, será considerada indicador de legitimidade e relevância da proposta”, estabelece o texto.

Um abaixo-assinado de apoio à homenagem a João Zanetic foi publicado na Internet por iniciativa da professora Mônica Deyllot, docente do Colégio Técnico de Lorena (Cotel), ligado à Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP.

O texto da petição destaca a atuação de Zanetic como docente e seu papel em diversas frentes de luta pela educação e pela saúde públicas e de qualidade. Na tarde desta quarta-feira (5), o abaixo-assinado contava com 448 adesões.

João Zanetic foi docente do Instituto de Física da USP entre 1970 e 2013, quando se aposentou. No período, formou gerações de estudantes e teve intensa militância política. Foi personagem fundamental na fundação da Adusp em 1976, ano seguinte ao assassinato de Vladimir Herzog, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA), pela ditadura militar.

Zanetic presidiu a Adusp em duas ocasiões, nos biênios 1991-1993 e 2009-2011, além de ter participado das discussões que dariam origem ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), em 1981, bem como da trajetória posterior dessa entidade.

Falecido em abril de 2024, foi homenageado numa cerimônia organizada pela Adusp em maio de 2025. “João Zanetic significa luta política pela emancipação do trabalhador brasileiro”, afirmou na cerimônia Francisco Miraglia, docente sênior do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP e ex-presidente da Adusp.

“Sempre teve como perspectiva a transformação radical da sociedade, rumo ao socialismo democrático. Foi um combatente incansável por uma sociedade igualitária, pela justiça social e econômica, pelos direitos sociais fundamentais, como educação e saúde públicas, e considerava fundamental o nosso engajamento nas lutas da classe trabalhadora brasileira”, ressaltou Miraglia.

EXPRESSO ADUSP


    Se preferir, receba nosso Expresso pelo canal de whatsapp clicando aqui

    Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!