Universidade
Por reforma agrária e agroecologia, em memória de Paulo Yoshio Kageyama

O Encontro Técnico “Viabilidade dos Sistemas Agroflorestais”, organizado pelo Núcleo de Extensão NACE-Peteca, pela equipe Aflora/Fapesp do Grupo de Pesquisa em Agriculturas Emergentes e Alternativas (Agremal) e, ainda, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi realizado nos dias 10 e 11 de setembro no Centro Agroecológico Paulo Kageyama, situado em Jarinu. No seu encerramento, ocorreu uma expressiva homenagem ao professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) cujo nome identifica esta importante estrutura do MST.
Trata-se de recordar o legado de Paulo Yoshio Kageyama, dez anos após sua morte, ocorrida em maio de 2016. O Centro Agroecológico leva seu nome em razão de seu engajamento em favor da agroecologia e da reforma agrária. Sua trajetória é indissociável de estudos aplicados à realidade da agricultura familiar, especialmente aquela assentada. Kageyama mencionava que a escolha de seus interlocutores se dirigia aos pequenos agricultores.
Como docente da Esalq, Kageyama foi diretor regional da Adusp na gestão 1997-1998. Nesta condição, manifestava sua perspectiva segundo a qual “conservar a biodiversidade é também enfrentar a pobreza e a fome”. Assim, defendia a ideia de que uma ciência distante de quem precisa “ainda não terminou de ser feita”.
A homenagem no Centro Agroecológico ocorreu em dia de intensas chuvas. Porém, em rápido momento com brilho do sol, foi possível o plantio de ipês e jatobá, na companhia da filha, da neta e da viúva de Kageyama. Na ocasião, foi lembrado que “plantar é também aceitar que nem sempre estaremos presentes para ver florescer o que foi semeado”. A homenagem se coadunou inteiramente com os debates e construções coletivas do evento, que reuniu agricultores familiares, assentados da reforma agrária, pesquisadores, representantes da sociedade civil organizada e gestores públicos.
Os participantes puderam trocar conhecimentos a partir de suas experiências com sistemas agroflorestais em termos de fomento nos assentamentos, financiamento, comercialização, assistência técnica, extensão rural, práticas de manejo e cooperativismo. Efetivamente, os estudos de Kageyama sobre potencialidades produtivas sustentáveis das florestas, assim como sua dedicação às causas que defendia, permanecem como fonte de inspiração para as reflexões e diálogos sobre as temáticas do encontro.
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