Entidades estudantis encenam “velório” da BEPE diante do prédio da Fapesp e responsabilizam governador pelos cortes realizados
"Funeral" simbólico marcou o protesto de 16/9 diante do prédio da Fapesp (foto: Daniel Garcia)

Nesta quarta-feira, 16 de setembro, entidades de pós-graduandos(as) realizaram uma nova manifestação de protesto diante do prédio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no Alto da Lapa, na capital paulista, contra os cortes realizados nos recursos destinados à Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE).

Desta vez as e os manifestantes compareceram com um “caixão” de papelão, e encenaram um velório simbólico da BEPE, uma vez que as mudanças que a Fapesp pretende impor descaracterizam o programa de estágio no exterior e ameaçam sua continuidade. Na lateral, o “caixão” trazia a frase “Morta por Tarcísio”, em alusão ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.

João, doutorando do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC-USP), veio de São Carlos para participar do protesto e lembrou que um dos critérios de avaliação utilizados pela própria Fapesp é o grau de internacionalização da pesquisa. “E de repente, não querem mais que a gente faça pós-graduação no exterior. Por que?”.

Ele criticou severamente a prioridade dada pela direção da Fapesp à destinação de recursos para empresas privadas, e contestou o discurso da agência de que não houve cortes, relatando ter conhecimento de casos de estudantes que tiveram negado o pedido de bolsas de pesquisa (tanto BEPE como comuns), sob a alegação de falta de recursos orçamentários.

Uma doutoranda da área de Humanas, que passou um ano no exterior com bolsa BEPE, destacou o fato de que a redução do prazo para apenas seis meses, nas bolsas de doutorado, torna praticamente inviáveis tanto a logística de deslocamentos das pessoas (ida para o exterior e retorno, conseguir escolas para filhos etc.) quanto a própria atividade de pesquisa, que exige contatos, autorizações e, em muitos casos, longo período de trabalho com grande quantidade de materiais. “Quer dizer: isso é para desencorajar, para a gente não ir atrás, para impedir as pessoas que já são mais velhas, têm família. E quem é mais jovem está impedido de ir, porque não tem mais bolsa de Iniciação Científica e de Mestrado”.

Como os demais manifestantes, a oradora responsabilizou o governador pelas medidas restritivas no tocante à BEPE. “O Tarcísio diz que ele não tem nada a ver com isso, que ele não sabe. Mas sim, as pessoas que estão ali dentro da Fapesp e que tomam essas decisões são cargos comissionados, são escolhidas pelo Tarcísio. Esses remanejamentos internos [de verbas] servem para desmontar a Fapesp. Servem para que, pouco a pouco, a agência de fomento à pesquisa na realidade pare de fomentar a pesquisa”.

EXPRESSO ADUSP


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