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Gatilho: papel da Adusp foi decisivo, dizem beneficiários
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Vinte e um anos depois de a Adusp entrar com a ação do Gatilho, e seis anos após a decisão favorável transitar em julgado, o acordo entre a Reitoria e a Adusp finalmente materializou a reparação dos direitos de mais de 3 mil docentes. O Informativo Adusp conversou com beneficiários que já receberam os devidos valores e lhes pediu uma avaliação desse processo de luta.
Carlos Alberto Ferreira Martins, professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos, critica a lentidão da justiça: “Não posso dizer que a espera me surpreendeu, pois o órgão público é sempre muito lento. O processo foi longo como se esperava que fosse para que se pudesse viabilizar o pagamento da parcela”.
Alguns docentes já nem acreditavam na possibilidade de pagamento do gatilho: “Foi fantástico. Foi uma batalha difícil, longa. Na verdade eu nem esperava mais. A Adusp teve papel fundamental para que pudéssemos vencer”, declara o professor Luis dos Ramos Machado, da Faculdade de Medicina.
Inconformado com a forçada espera a que foi submetido, o professor aposentado Luis Felipe Gomes e Silva, da Escola de Engenharia de São Carlos, atribui a demora à “luta pela justiça no Brasil, que sempre tarda e falha”. Além disso, protesta: “Eu fui perseguido durante 10 anos pelos meus colegas engenheiros. A Escola de Engenharia aqui é de ultra-direita, então como criar uma associação dos docentes com pessoas que só pensam no seu próprio umbigo?”
“Revoltada”
O professor aposentado Sílvio Davi Paciornik, do Instituto de Física, critica a USP: “Por que, no começo, quando foi levantada essa tese, a universidade não avaliou que era uma reivindicação justa? A universidade deveria teoricamente ficar ao lado dos professores. No entanto, teve que haver um processo judicial para se resolver o caso”.
“A demora foi muito grande. A Reitoria fez de tudo para atrasar, mas a Adusp teve papel fundamental para que tudo desse certo. Fiquei muito revoltada com as pessoas que não quiseram contribuir para a Adusp. Achei uma vergonha”, declara a professora aposentada Judith Kardos Klotzel (ICB), ex-presidente da entidade (1985-1987), referindo-se à fração de 0,5% do valor recebido, que mais de 90% dos beneficiários concordaram em doar.
“A atuação da Adusp foi decisiva para evitar que houvesse outra injustiça, como somente poucos professores se beneficiarem”, conclui o professor Martins. O professor Silva considera uma falha da entidade não ter sido avisado sobre os pagamentos (ficou sabendo por um colega), mas assim mesmo comemora: “O papel da Adusp nesse processo foi total. Sem ela não teríamos ganhado nada”.
Informativo nº 330
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