Universidade
Gasto necessário para igualar bolsa PAPFE ao SM paulista seria de R$ 165 milhões, equivalente a apenas 1,9% do Orçamento atual
Elevar para um salário-mínimo paulista (1 SM-P) o valor das bolsas integrais concedidas pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), conforme reivindicação dos estudantes em greve, importaria num gasto total de R$ 306,8 milhões por ano. Em 2026, esse valor corresponderia a apenas 3,5% do orçamento global da USP, que é de R$ 9,41 bilhões.
O cálculo é do GT Verbas da Adusp, que estimou o impacto orçamentário da reformulação do PAPFE. No modelo atual, o gasto com as bolsas PAPFE é de R$ 141,7 milhões, que correspondem a 1,6% do orçamento da universidade em 2026. O aumento necessário para igualar a bolsa ao SM-P vigente seria de R$ 165 milhões, o equivalente a 1,9% do orçamento atual.
Atualmente o PAPFE atende aproximadamente 12.347 estudantes com auxílio integral e outros 2.635 estudantes com auxílio parcial vinculado à moradia estudantil. Os valores atuais da bolsa são, respectivamente, de R$ 885 mensais e R$ 335 mensais.
Assim, no modelo vigente, os gastos são de R$ 131,125 milhões anuais com a bolsa integral (12.347 estudantes × R$ 885 × 12) e de R$ 10,592 milhões anuais com a bolsa parcial (2.635 estudantes × R$ 335 × 12), chegando-se assim ao montante de R$ 141,7 milhões por ano.
O GT Verbas simulou os gastos com a proposta de auxílio integral equivalente a 1 SM-P — que é de R$ 1.804 em 2026 — e de auxílio parcial equivalente a 1 SM-P menos R$ 550, ou seja: R$ 1.254.
Mantendo-se o mesmo número de estudantes beneficiados, o custo da bolsa PAPFE integral passaria a ser de R$ 267,2 milhões por ano (12.347 estudantes × R$ 1.804 × 12), enquanto o da bolsa parcial seria de R$ 39,6 milhões (2.635 estudantes × R$ 1.254 × 12), chegando-se assim ao gasto total de R$ 306,8 milhões por ano com o programa.
A projeção do GT Verbas revela que a proposta dos estudantes é plenamente viável e pode ser atendida sem abalar as receitas orçamentárias da universidade, decorrentes dos repasses de ICMS do Tesouro Estadual, pois o acréscimo elevaria as despesas com o PAPFE em apenas 1,9% do orçamento de 2026.
Por outro lado, a USP dispõe sempre de receitas próprias, decorrentes dos ganhos auferidos com aplicações financeiras, aluguéis e outras fontes de renda. Foi dessa rubrica que saíram os R$ 281 milhões usados, em 2025, para comprar um terreno do governo estadual em Ribeirão Preto, que imediatamente foi cedido ao próprio governo estadual. A GACE também será financiada pelas receitas próprias, que a cada ano costumam superar R$ 1 bilhão.
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