No início do segundo semestre de 2012 deverá ser inaugurada a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, vinculada à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP. O projeto Brasiliana USP inclui a criação da Brasiliana Digital, que tem o intuito de ampliar e tornar irrestrito o acesso a seus acervos e aos fundos públicos de informação. Mas eis que surge uma novidade: o “Instituto Brasiliana”, entidade privada que aparece como “parceira” do projeto da USP e que possui entre seus componentes vários membros da diretoria da Biblioteca Brasiliana.

Segundo o site da Brasiliana (http://www.brasiliana.usp.br) a iniciativa da criação da biblioteca digital, que surgiu em 2009, conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) e do Ministério da Cultura (Minc). O projeto é desenvolvido em parceria com o Laboratório de Engenharia de Conhecimento da Escola Politécnica (Knoma), com o Sistema Integrado de Bibliotecas da USP e o… Instituto Brasiliana.

Pedro Puntoni, coordenador do projeto Brasiliana USP e membro, concomitantemente, do “conselho de governança” do Instituto Brasiliana, afirma que “a equipe [da biblioteca] é em parte hoje resultado de uma outra parceria com o Instituto Brasiliana”. Atuam no projeto, segundo ele, 12 estagiários remunerados pela entidade privada.

Denúncia

Uma parte dessa equipe atua na digitalização das obras da Brasiliana USP e para isso contam com a ajuda de robôs digitalizadores financiados pela Fapesp. “Maria Bonita”, como foi apelidado um desses robôs, e suas “irmãs” estão a serviço da Biblioteca Brasiliana e, conforme normas da Fapesp, quando ociosos podem ser utilizados em outras unidades da USP gratuitamente. Porém, segundo denúncia publicada por Ana Cardoso Silva no blog Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o ICB-USP estaria pagando pelo serviço de digitalização de parte do seu acervo. Pedro Puntoni nega. “Estamos digitalizando obras de várias unidades, mas ainda não do ICB”, diz.

No texto intitulado “O que Lampião pensaria do uso privado de Maria Bonita e cinco irmãs?”, o blog informa que, apesar de executado nas dependências da USP, por funcionários e estagiários pagos pela USP e com o uso de equipamentos financiados por instituições públicas, o pagamento estaria sendo feito ao “Instituto Brasiliana”.

Como membro da direção da entidade privada, Puntoni define o Instituto Brasiliana como uma “associação sem fins econômicos”, fundada há dois anos e que estaria apoiando a Biblioteca Guita e José Mindlin e o Projeto Brasiliana USP em algumas iniciativas: “Basicamente, a exposição sobre Frei [José Mariano da Conceição] Veloso em setembro de 2011 (em parceria com a Pinacoteca e a Associação dos Amigos da Pinacoteca), a exposição ‘Uma Vida entre Livros’ (que está sendo preparada, com apoio da Petrobras, para a inauguração do edifício e foi concebida como uma exposição permanente do edifício) e agora o Laboratório da Brasiliana USP”.

 

Informativo nº 343

EXPRESSO ADUSP


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