Apesar da chuva torrencial, mulheres saíram às ruas de São Paulo contra feminicídio, fascismo e imperialismo, e para exigir democracia e igualdade de gêneros
Fotos: Daniel Garcia

O forte temporal que caiu na capital paulista no último domingo, 8 de março, não impediu que milhares de mulheres se dirigissem ao MASP, na Avenida Paulista, para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres e buscar mobilizar a sociedade contra a brutal violência de gênero, expressa nas crescentes estatísticas de feminicídios e estupros, bem como para combater e superar as desigualdades que persistem no mercado de trabalho e em inúmeros aspectos da vida social brasileira.

Daniel Garcia

Dados divulgados no dia seguinte pela Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal atestam a dimensão impressionante da violência praticada cotidianamente contra mulheres no país. Segundo o jornal Correio Braziliense, foram registradas no DF, em 2025, 23 mil agressões a mulheres, 69% das quais em ambiente doméstico, e a Polícia prendeu, em flagrante, 5.588 agressores ao longo do ano. Ou seja: uma prisão a cada uma hora e meia.

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Em declaração prestada à Agência Brasil durante o ato do 8M em São Paulo, Alice Ferreira, uma das coordenadoras do Levante Mulheres Vivas, destacou a necessidade de “combate efetivo” ao feminicídio e à violência contra a mulher, “porque não basta só pacto, palavras, nota de apoio, a gente quer orçamento público e medidas efetivas, e isso a gente não viu avançar em nenhuma das esferas do executivo, do judiciário e do legislativo”.

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A ativista destacou a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, que tipifica a misoginia como crime.

“Enquanto o discurso feminista é boicotado pelas big techs, o discurso red pill é impulsionado. Então, criminalizar é o primeiro passo para começarmos a reverter essa lógica”, disse Alice Ferreira.

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Ainda de acordo com a Agência Brasil, no Estado de São Paulo foram assassinadas 270 mulheres em 2025, o que representa alta de 6,7% na comparação com 2024. No país todo, foram assassinadas 1.568 mulheres em 2025, um doloroso recorde histórico. A análise de 5.729 casos entre 2021 e 2024 aponta um padrão: 59,4% das vítimas foram mortas pelo companheiro; 21,3% por ex-companheiro; 10,2% por outros familiares; apenas 4,9% dos autores eram desconhecidos. Em 97% dos casos, o agressor era homem. A residência da vítima foi o local do crime em 66,3% das ocorrências, seguida pela via pública com 19,2%.

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Além do repúdio à violência misógina, machista e patriarcal, o ato de domingo também lançou um olhar ao mundo e, especialmente, para a América Latina e o Caribe, ameaçadas pelas investidas do imperialismo norte-americano. Razão pela qual o “Fora Trump!” foi uma das bandeiras políticas do ato. Essa orientação está presente no Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado, assinado por mais de 340 organizações, das quais 120 têm âmbito nacional e as demais atuam nos planos estadual, regional ou local.

“Neste 8 de Março, nossas vozes estão erguidas no Brasil inteiro contra a ofensiva dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe e todas as agressões econômicas, políticas e militares que ameaçam a paz e a soberania dos povos”, diz o Manifesto. “Denunciamos o bloqueio criminoso, ameaças bélicas, ataques cibernéticos, comunicacionais e de invasão impostas à Cuba e à Venezuela e todas as formas de dominação colonial que aprofundam a fome, a exploração capitalista patriarcal e racista”.

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A luta das mulheres, frisa o documento, é feminista, internacionalista, antifascista e antirracista. “Estamos ao lado das mulheres palestinas, venezuelanas, cubanas e de todos os povos que resistem às ocupações, guerras e conflitos armados. Exigimos paz e o fim das intervenções imperialistas”. Acrescenta, ainda: “Lutamos contra todas as formas de opressão contra as mulheres e meninas que culminam em feminicídios e transfeminicídios, produtos do entrelaçamento entre o capitalismo neoliberal, o imperialismo, fascismo, patriarcado, racismo e a LBTfobia, que controlam corpos, exploram o trabalho, saqueiam territórios e mantêm privilégios”.

EXPRESSO ADUSP


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