Nota da Diretoria
Ao deslocar o debate para a GACE, a Reitoria compromete a negociação coletiva da data-base, que envolve as três universidades estaduais paulistas
A discussão sobre a criação de novas gratificações na USP precisa ser feita com muita atenção por toda a categoria. À primeira vista, bônus e gratificações podem parecer positivos — especialmente em um contexto de arrocho salarial e sobrecarga de trabalho. Mas é justamente por isso que precisamos olhar com mais cuidado para o que está sendo proposto.
Nos últimos anos, essas políticas têm sido apresentadas como forma de “valorização” da carreira. No entanto, não substituem aquilo que de fato garante direitos em curto, médio e longo prazo: o salário. O salário é permanente, incide sobre aposentadoria e demais direitos e compõe a base da carreira. As gratificações, por sua vez, são temporárias, podem ser retiradas a qualquer momento e, portanto, não produzem efeitos duradouros.
Além disso, costumam surgir em momentos em que a universidade acumulou recursos, muitas vezes às custas de anos de contenção salarial. Em vez de recompor salários de forma estruturante, opta-se por distribuir valores pontuais, sem enfrentar o problema de fundo.
Outro ponto importante é que essas políticas não atingem toda a comunidade universitária. No caso da GACE, a proposta não inclui docentes aposentados nem servidoras(es) técnico-administrativas(os), aprofundando desigualdades internas. Ao contrário de um reajuste geral, que beneficia todas(os), trata-se de uma medida seletiva.
No caso da GACE, esse problema se agrava. A proposta abre espaço para que docentes não sejam contempladas(os) por uma bonificação cujos critérios de seleção ainda não estão claros, introduzindo incerteza e possível arbitrariedade.
Há ainda um elemento central: esse tipo de medida costuma surgir próximo à data-base, quando a categoria está reivindicando reajustes salariais. Ao deslocar o debate para gratificações, a Reitoria interfere e compromete a negociação coletiva que envolve as três universidades estaduais paulistas.
Diante disso, é fundamental ampliar o debate nas unidades e instâncias coletivas antes de qualquer deliberação. Só com discussão ampla e informada será possível construir uma posição que reflita os interesses da comunidade como um todo.
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