Membros da Diretoria e da Comissão Permanente de Mobilização da Adusp entregaram na quarta-feira da semana passada (3 de junho) uma carta endereçada ao reitor Aluísio Segurado na qual a entidade solicita a reabertura das negociações do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) com o Fórum das Seis e também do diálogo da Reitoria com os(as) estudantes em greve.

Os(as) docentes foram recebidos(as) pelo chefe de gabinete da Reitoria, Edmilson Dias de Freitas, e pelo coordenador executivo do gabinete, Gustavo Orlando Curcio.

As negociações entre o Fórum das Seis e o Cruesp serão retomadas na próxima quarta-feira (10). A data foi anunciada pela reitora da Unesp, Maysa Furlan, presidenta do Cruesp, em ofício encaminhado ao Fórum antes da realização da reunião da Adusp com a Reitoria.

A respeito da data-base, a Administração da USP salientou as dificuldades enfrentadas pela Unicamp e pela Unesp, mas também fez questão de ressaltar que o comprometimento da USP com folha de pagamento em 2026, no acumulado até abril, ficou em 86,32%, o que ultrapassa o teto de 85% determinado pelos draconianos “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira” (Resolução 7344/2017).

De acordo com o artigo 4º da resolução, “superando-se, para despesas totais com pessoal, o patamar de 85% das receitas correspondentes às liberações mensais de recursos do Tesouro do Estado de São Paulo advindas da quota parte da USP sobre a arrecadação do ICMS – quota parte do Estado, o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois semestres seguintes” (grifo nosso).

Por sua vez, a Adusp foi enfática na defesa da adoção do IPCA-IBGE como índice de inflação a ser considerado pelo Cruesp na data-base. Na atual negociação, os reitores têm insistido em utilizar o IPC-Fipe como referência. Esse índice calculou a inflação dos últimos doze meses em 3,47% (percentual de reajuste oferecido pelo Cruesp), enquanto o IPCA, que tem abrangência nacional e é o indicador oficial do país, ficou em 4,39%.

Reitoria diz que não haverá retaliação contra estudantes, mas pode haver “responsabilização”

Quanto à reabertura de negociações com os(as) estudantes em greve, a Reitoria mostrou-se inflexível. A Administração afirmou que não tem nenhuma ingerência sobre os inquéritos abertos pela Polícia Civil para investigar estudantes por conta da ocupação do prédio da Reitoria e que a USP não é denunciante nesses casos.

A universidade também não pode tomar nenhuma medida em relação aos equipamentos pertencentes a alunos(as) que foram apreendidos na desocupação violenta do prédio, na madrugada do dia 10 de maio, alegaram os representantes do gabinete.

Já no âmbito interno, a garantia é de que não haverá retaliação nem abertura de processos administrativos contra estudantes que participaram do movimento grevista, a menos que a USP seja instada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a fazer alguma investigação por eventual dano ao patrimônio público.

Ao mesmo tempo, a Reitoria deixou claro que há uma diferença entre retaliação e responsabilização, e que podem haver ações de responsabilização relacionadas a casos específicos.

O discurso dos representantes do gabinete enfatizou que a política de permanência da USP é a “melhor entre as universidades brasileiras”, uma vez que, além das bolsas, existe também a modalidade de auxílio.

A Administração reafirmou o compromisso de criar uma comissão permanente de negociação com as representações estudantis, com a participação de docentes, e que o Conselho de Graduação (CoG) vai discutir o calendário de reposição de aulas ao final da greve discente.

Os(as) estudantes realizam assembleia geral no final da tarde desta segunda-feira (8) para deliberar sobre a continuidade do movimento. Em várias unidades os(as) alunos(as) já decidiram encerrar a greve.

Reserva de caixa é fundamental para o futuro, alega Reitoria

A Adusp apresentou na reunião a proposta de criação de um grupo de trabalho para discutir os diferentes regimes previdenciários nos quais os(as) docentes estão enquadrados(as) e as repercussões dessa situação nas contas da universidade. A proposta foi bem aceita pela representação do gabinete, que se comprometeu a encaminhá-la ao reitor.

A Administração também afirmou que vai discutir de forma mais transparente com a comunidade a formação da reserva orçamentária da USP, que alcançou quase R$ 8,7 bilhões no final de 2025.

Na avaliação da Reitoria, a constituição dessa reserva é fundamental para o futuro da universidade, uma vez que ainda não se sabe como se dará o financiamento das instituições estaduais com o fim do ICMS, determinado pela reforma tributária, e sua substituição até 2033 pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A Reitoria também considera que os recursos da reserva devem ter destinação específica, como a melhoria da infraestrutura, reformas e construções, e não podem ser utilizados para finalidades como concessão de auxílios ou reajustes. Um dos projetos da Administração, conforme proposta da chapa Segurado-Bernucci na eleição do ano passado, é a reforma dos blocos do Conjunto Residencial da USP (Crusp).

No entender da Diretoria da Adusp, o saldo da reunião foi positivo pela possibilidade de interlocução e pelos compromissos firmados pela Reitoria.

EXPRESSO ADUSP


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