Conjuntura Nacional
No dia 29, “Caminhada do Silêncio”, em homenagem às vítimas do terrorismo de estado, fará percurso entre antigo DOI-CODI e Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos, no Ibirapuera
A sexta edição da “Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado” será realizada na capital paulista no dia 29 de março (domingo), a partir das 16h, com a finalidade de “reforçar a continuidade da luta por memória, verdade, justiça e reparação, em contexto de importantes oportunidades para resolver questões de nosso passado e de nossa história de violência e impunidade”, segundo seus organizadores.
O ponto de encontro e concentração é a rua Tutoia 921, na Vila Mariana, defronte ao local onde funcionou, durante a Ditadura Militar (1964-1985), o aparato repressivo que se tornaria conhecido como DOI-CODI, acrônimo macabro para Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, ambos subordinados ao estado-maior do então II Exército, hoje Comando Militar Sudeste.
Milhares de militantes de esquerda capturados(as) pelas equipes do DOI-CODI do II Exército foram brutalmente torturados(as) ali, e mais de 50 perderam a vida. Várias pessoas vinculadas à USP (docentes, discentes e ex-discentes) foram assassinadas nesse centro de torturas, que teve entre seus comandantes o tristemente célebre major Brilhante Ustra (depois promovido a coronel).
Morreram nas suas dependências, por exemplo, José Roberto Arantes de Almeida (1971), Luiz Eduardo Merlino (1971) e Alexandre Vannucchi Leme (1973), estudantes da USP à época, e Vladimir Herzog (1975), professor da ECA.
O destino da Caminhada do Silêncio é o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera. Como nas edições anteriores, os organizadores trabalham para que familiares de vítimas de crimes de estado – sejam aqueles cometidos pela Ditadura Militar, sejam os cometidos posteriormente a ela, como os “Crimes de Maio” (de 2006) e outros – participem da manifestação, bem como ex-presos(as) políticos(as) e personalidades democráticas.
A manifestação é organizada pelo Movimento Vozes do Silêncio, mantido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pelo Instituto Vladimir Herzog, e recebe apoio de movimentos sociais e de diferentes organizações da sociedade civil.
A lei municipal 17.886, que entrou em vigor em janeiro de 2023, incluiu a Caminhada do Silêncio no calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo. Sua autoria é do então vereador Antonio Donato (PT), hoje deputado estadual.
Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!
Mais Lidas
- Gestão Carlotti Jr.-Arruda chegou ao final com menos funcionários(as) do que no início; quadro atual é 26% menor do que em 2014
- Em novo ato público, estudantes e pesquisadores(as) reivindicam revogação total das mudanças anunciadas pela Fapesp na BEPE
- Em carta, Fealq aponta como “equivocadas” e “imprecisas” informações publicadas em reportagem sobre relação entre a Reitoria da USP e as fundações privadas ditas “de apoio”
- Sentença da 1ª Vara Cível de Pinheiros declara improcedente ação de Paulo Maiorka e absolve Cláudia Momo e Adusp, admitindo direito da entidade de noticiar denúncias de assédio moral
- Fapesp recua parcialmente das mudanças na BEPE, após reprimenda do governador, mas entidades de pós-graduandos(as) mantêm pressão pela revogação total das medidas; novo ato ocorre nesta sexta (4/9)