Conjuntura Nacional
GT PAS da Adusp promove cine-debate na EACH sobre memória do trabalho rural, direitos humanos e modelos de desenvolvimento socioterritorial

No dia 24 de agosto, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) foi lugar de um cine-debate promovido pelo GT de Políticas Agrárias e Socioambientais da Adusp (GT PAS). A atividade reuniu turmas do ciclo básico da EACH para a exibição e discussão de dois curtas-metragens: Corte Seco e Entrevivências.
Dirigido por André Panzarin, engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), e por Guilherme Landim, doutorando no PPG multimeios da Unicamp, Corte Seco aborda a memória de trabalhadores rurais cortadores de cana-de-açúcar da região de Piracicaba, no interior de São Paulo. A partir das experiências e lembranças desses trabalhadores, o documentário recupera aspectos da história do trabalho rural e das transformações tecnológicas vividas no campo, colocando em evidência as memórias, com muitas feridas, daqueles que desempenharam trabalho análogo à escravização no corte da cana de açúcar e hoje estão inseridos na dinâmica laboral urbana.
Já Entrevivências, dirigido por Panzarin e por Tomás Ramos, também engenheiro agrônomo egresso da Esalq, apresenta as trocas de saberes entre assentados e estudantes universitários a partir de vivências agroflorestais realizadas no assentamento Sepé Tiaraju, na região de Ribeirão Preto. O filme aborda as possibilidades de construção conjunta de conhecimentos entre universitários e membros de comunidades rurais, destacando a experiência prática e o diálogo como elementos centrais dessa relação.
O debate realizado após as exibições contou com a participação de docentes da EACH — Marcos Bernardino, como mediador, e Diamantino Pereira, ambos integrantes do GT PAS, e Michele Schultz. Foram centrais os temas do papel da universidade na sociedade e da renovação das práticas de extensão com vistas a se tornarem efetivamente participativas e comprometidas com os interesses sociais. A experiência apresentada em Entrevivências, nesse sentido, abriu espaço para refletir sobre formas de aproximação entre estudantes, pesquisadores e comunidades rurais.

Outro aspecto relevante abordado nas discussões estimuladas pelos filmes foi o potencial do audiovisual para apresentar diferentes perspectivas críticas sobre questões sociais, incitando o diálogo crítico. Ao comentar a estrutura da EACH, o professor Marcos Bernardino chamou atenção para a presença das artes no próprio nome da unidade e apontou o audiovisual como uma ferramenta que poderia ser amplamente trabalhada pelos estudantes, independentemente dos cursos realizados.
O docente do curso de Gestão Ambiental destacou a riqueza de temas que os filmes evocam, uma vez que, além dos tópicos supracitados, foram tratadas questões relacionadas à reparação diante da negação dos direitos humanos dos trabalhadores rurais, aos diferentes modelos de desenvolvimento agrário e às possibilidades de realização de um cinema popular como instrumento de reflexão-ação sobre a realidade de distintas comunidades.
Trata-se da terceira atividade em torno destes audiovisuais promovida pelo GT PAS. Anteriormente, ocorreram exibição e debates sobre o documentário Corte Seco na Esalq e, ainda, num cine-debate promovido em Piracicaba graças à parceria entre o SESC e a comissão organizadora da JURA-Esalq.
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