Defesa do Ensino Público
Greve de fome radicaliza luta por mudanças na educação chilena
As manifestações dos estudantes chilenos por educação pública, gratuita e de qualidade já se estendem por meses no Chile. Tanto o setor universitário como o ensino médio estão paralisados e exigem “garantias” para aceitar diálogo com o governo do presidente Sebástian Piñera. No entanto, as cenas de violência policial em Santiago e outras cidades marcaram os cinco grandes protestos públicos que chegaram a agregar até 500 mil pessoas.
Há quase cinco semanas, 40 estudantes aderiram a outra forma de protesto: a greve de fome. Segundo o Portal Terra (16/8), o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, declarou que alguns alunos já perderam 8 quilos, sofreram diminuição de massa muscular, apresentam baixa pressão arterial, cólicas intensas e desidratação. A médica que acompanha os estudantes, Nuñes Allende, alertou que após 30 dias sem comer aumentam os riscos para o sistema imunológico e cardíacos (Correio Braziliense, 16/08). Desde 15/8, três estudantes da cidade de Buin, próxima a Santiago, pararam de ingerir líquidos, fator clímax da tensão que desencadeou na ocupação do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) por artistas chilenos que cobram do governo uma rápida solução principalmente para o caso desses estudantes.
No dia 17/8, o governo chileno entregou nova proposta aos estudantes em resposta às manifestações. De acordo com o jornal argentino Página 12 (18/8), a situação que se torna cada vez mais delicada levou o governo Piñera a apresentar novas ofertas: ampliar o número de bolsas de estudo, reduzir juros de empréstimos para financiar o ensino superior (de 5,6% para 2%), transferir os colégios municipais ao Estado central e assegurar a qualidade do ensino em todas as áreas. Entretanto, alunos e professores rejeitaram o novo pacote de medidas anunciadas pelo governo para acabar com o conflito.
“Precisamos de esclarecimento, ainda há muitas lacunas”, disse Camila Vallejo, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, para quem o anúncio oficial deixou mais dúvidas do que certezas. “Ainda não vejo como garantir constitucionalmente que o Estado não seja apenas fiador, mas sim responsável e provedor da educação pública”.
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