Convidado pela reitora Suely Vilela, o secretário José Aristodemo Pinotti compareceu no dia 15/3 a uma reunião extraordinária do CO da USP.

O secretário voltou a apresentar a versão de que a criação da Secretaria de Ensino Superior seria um gesto de atenção às universidades. Declarou que os atritos ocorridos nesse início de ano foram frutos de “mal-entendidos” e da “falta de tato” do governo, e admitiu que o governo errou ao tentar impor um secretário de Estado como presidente do Cruesp e ao contingenciar verbas das universidades.

Pinotti afirmou ainda que atuará junto às universidades na formulação de uma lei de autonomia universitária.

A professora Zilda Iokoi, representante dos professores associados, pediu a palavra no CO contestando as afirmações de Pinotti de que o governo buscaria um diálogo com as universidades: “Falei a ele que não se pode dizer que há diálogo quando se faz um decreto, um decreto é um imperativo categórico”.

“Impressionante”

O professor Benedito Honório Machado, representante da Congregação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, considera que o maior esclarecimento prestado pelo secretário foi o de que a Secretaria de Ensino Superior “não tem projeto algum” para o ensino superior. “Afirmei na ocasião que isso me preocupava muito, porque o governador Serra, depois de 12 anos de gestão do seu partido no governo do Estado e oito no governo federal, não ter um projeto para a educação superior é impressionante”.

Para Machado, “as universidades públicas, devido à autonomia, conseguiram manter a qualidade e melhorar os indicadores acadêmicos. Se estivéssemos submetidos à gestão do governo do Estado nesses últimos 12 anos, estaríamos em um caos absoluto. Essa é uma razão objetiva para defender a autonomia universitária”.

João Alex Carneiro, representante discente de graduação, também avalia que o secretário “não apresentou nenhum projeto objetivo para a Secretaria” e que “foi bastante evasivo”.

Na opinião de Claudionor Brandão, representante dos funcionários no CO, “as intervenções dos diretores de unidade foram muito ruins, era uma queixa seguida de meia dúzia de elogios. Há vinte anos, antes da autonomia, o governo investia o equivalente a 11,6% do ICMS nas universidades, hoje recebemos 9,57%, mais de 2% a menos, então como é possível falar em valorização da universidade?”, questiona.

 

Matéria publicada no Informativo nº 232

EXPRESSO ADUSP


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