Defesa da Universidade
Opinião: “Atividades pedagógicas presenciais e em tempo real são fundamentais para todos os processos formativos dentro da universidade pública”
A suspensão das aulas na USP, medida necessária ao combate à Covid-19, levou a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) a afirmar, em comunicado datado de 16/3, que a situação atual é “uma oportunidade para aperfeiçoamento do ensino não presencial na Universidade”. Docentes já trocam informações sobre publicação de vídeos no ambiente virtual Moodle USP. Neste texto a professora Maria Sílvia Betti (FFLCH) adverte que a“virtualização das atividades de ensino adotadas nesta conjuntura poderá ser de difícil ou improvável reversão posterior”, e que as estratégias de EaD adotadas neste período de exceção estão contribuindo para a naturalização do uso de ferramentas virtuais
A situação crítica acarretada pela multiplicação dos casos de contaminação pelo coronavírus tem levado docentes, em diferentes setores da USP, a se organizarem no sentido de ministrar aulas de graduação e de pós por meio de vídeos postados na Internet.
A virtualização das atividades de ensino adotadas nesta conjuntura poderá ser de difícil ou improvável reversão posterior: pressões para a implantação de educação à distância existiam já, anteriormente, e seus recursos vinham sendo apresentados como frutos de modernização pedagógica e metodológica.
No momento em que estamos, as estratégias utilizadas para evitar a concentração de pessoas em atividades presenciais no campus estão contribuindo ainda mais para a naturalização do uso de ferramentas de aulas virtuais, em muitos casos gravadas em vídeos e sem a possibilidade da participação em tempo real e da interação.
Não sabemos ainda quanto tempo teremos que permanecer nesta angustiante restrição atual de todas as atividades baseadas no diálogo e nos processos interativos. Na sociedade à nossa volta, com a crise econômica e a fragilização do sistema de saúde pelas políticas governamentais, os setores a serem mais dolorosamente vitimados serão certamente os dos trabalhadores e trabalhadoras de baixa renda, dos idosos e idosas, das populações de rua, dos presidiários e de todos os excluídos do atual sistema de produção.
É importante lembrarmos que estamos vivendo um período de exceção, e que as atividades pedagógicas presenciais e em tempo real são fundamentais para todos os processos formativos dentro da universidade pública e de pesquisa, voltada para o aprendizado e para a investigação transformadora.
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