Democracia na USP
PM desocupa Reitoria já esvaziada e prende dois estudantes que não participavam do movimento
“Estes alunos não faziam parte do acampamento. Foram escolhidos como bodes expiatórios”, declarou o deputado Carlos Giannazi
A tropa de choque da Polícia Militar realizou na manhã desta terça feira 12/11 a reintegração de posse da Reitoria da USP, ocupada desde 1º/10. Os estudantes que ocupavam o prédio retiraram-se antes da chegada da PM, porque foram avisados a tempo e decidiram não resistir. Contudo, dois estudantes, João Vítor Gonzaga Campos, de 27 anos, e Inauê Taiguara Monteiro de Almeida, ambos da FFLCH-USP, foram detidos pela PM, supostamente durante uma “tentativa de fuga”, e estão sendo indiciados por danos e furto ao patrimônio público e formação de quadrilha, segundo o boletim de ocorrência (BO). Eles foram conduzidos ao 93º Distrito Policial (Jaguaré).
Lideranças do movimento de ocupação afirmam categoricamente que João Vítor e Inauê não têm qualquer relação com o movimento. No momento em que foram presos, retornavam de uma festa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humans (FFLCH), em direção à moradia estudantil. Tudo indica que a PM queria fazer prisões de qualquer modo.
Na tentativa de obter uma posição da USP e liberar os rapazes, deputados estaduais tentaram contato com a Reitoria, sem êxito. O deputado Carlos Giannazi (PSOL) esteve no 93º DP, onde conseguiu conversar com eles na carceragem. “Constatei na conversa com o delegado que as acusações são absurdas. Estes alunos não faziam parte do acampamento, um deles é também funcionário da FAU [Faculdade de Arquitetura e Urbanismo], não teria como ficar lá, pois trabalha o dia inteiro. Foram escolhidos como bodes expiatórios”, declarou ao Informativo Adusp.
Giannazi pretende acionar a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, pois não conseguiu demover o delegado Celso Lahoz Garcia quanto ao relaxamento das prisões. “Argumentei muito, mas ele está convencido do BO que fez. Fiquei horrorizado. Disse a ele que está criminalizando ainda mais a situação, fortalecendo o autoritarismo do reitor e do governo estadual”.
No final da tarde, os advogados Felipe Vono e Maria Livia Goes preparavam-se para impetrar um habeas-corpus no Tribunal de Justiça, em favor dos estudantes presos.
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