Memória
Bia Pardi, presente!

Educadora, militante política de esquerda, dirigente sindical, deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores por dois mandatos (entre 1991 e 1999), Beatriz Accorsi Pardi, a Bia Pardi, partiu nesta terça-feira, 9 de junho, aos 84 anos.
Bia atuou por décadas na rede pública estadual de ensino, tornando-se uma liderança expressiva do professorado paulista. Seu envolvimento com as lutas do magistério público fez com que se tornasse dirigente da Apeoesp, um dos maiores sindicatos brasileiros: foi diretora de imprensa (1983-1985) e depois vice-presidenta (1989-1991). Este impulso resultou também na conquista dos mandatos que a levaram à Assembleia Legislativa (Alesp). Posteriormente, na gestão de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo, foi subprefeita da região de Pinheiros (2001-2004).
Um dos destaques de sua atividade como parlamentar foi a autoria do projeto de lei 463/1992, que tornou obrigatório o ensino de educação artística no currículo das escolas públicas estaduais, da primeira à oitava séries do 1º grau e na primeira e segunda séries do segundo grau, com carga horária de duas aulas semanais. O projeto foi aprovado pela Alesp e sancionado pelo então presidente da casa, Ricardo Tripoli, dando origem assim à lei 9.164/1995.
“Além de parceira nossa em inúmeras lutas em prol da educação pública ao longo dos anos, a companheira Bia Pardi foi essencial na defesa do Plano Estadual de Educação – Proposta da Sociedade Paulista na Alesp, cujos conteúdos e metodologia de construção continuam sendo referências importantes para toda a sociedade paulista e brasileira. Bia Pardi, presente!”, declarou ao Informativo Adusp Online o professor Cesar Augusto Minto, ex-presidente da Adusp.
“A bancada de deputados e deputadas do PT na Alesp partilha com todos os militantes e construtores da história de nosso partido o sentimento doloroso da perda de uma companheira admirável. Despedimo-nos de Bia Pardi com ternura e saudade”, destaca nota de pesar assinada pelo deputado Jorge do Carmo, líder da bancada. “Unimo-nos nessa cerimônia de adeus, convictos de que ela cumpriu sua missão de educadora e de combatente que marcou sua época”.
Entre as lutas travadas na Alesp, prossegue a nota da bancada do PT, “Bia Pardi destacou-se na criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra a Mulher e contra a Criança e o Adolescente, denunciando o desmonte de uma máfia que vendia livros didáticos novos para serem retalhados e virarem aparas”. O texto lembra ainda sua participação nas denúncias contra juízes que traficavam crianças, bem como a colaboração no trabalho de elaboração e aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“[Bia] Trouxe para o parlamento sua experiência de professora e dirigente sindical do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) para qualificar o debate sobre a educação pública no Estado. Fundadora do Partido dos Trabalhadores (PT), foi líder da bancada de deputados e deputadas estaduais petistas no período de março de 1998 a março de 1999”. Bia atuou ainda por onze anos, entre 2006 e 2017, como assessora para assuntos de educação da liderança da bancada na Alesp, e foi coordenadora do Setorial de Educação do PT-SP.
“Essa grande companheira sempre nos instigou com sua inteligência e sua absoluta entrega aos projetos coletivos, desenhando a sua volta o mundo como ela o via, com o testemunho de uma mulher apaixonada pelas causas que abraçava”, diz ainda a nota da bancada. “Nesse momento de despedida, somamos nossas lembranças e recordações sobre como nossa companheira Bia Pardi convivia com os amigos, como se expressava, como defendia suas ideias e se colocava diante do mundo para interferir no seu curso de transformação”.
A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) também emitiu nota em que se solidarizou com familiares, amigos e camaradas de militância: “Sua inteligência, firmeza de princípios e generosidade deixaram marcas profundas em todos aqueles e aquelas que tiveram o privilégio de compartilhar sua caminhada. Bia Pardi, presente! Hoje e sempre”.
A deputada estadual Bebel, que conviveu com ela na direção da Apeoesp e em outros espaços, publicou no Facebook um texto pessoal em homenagem a Bia. “Além do mandato legislativo, Bia Pardi contribuiu com sua vasta experiência técnica e política na gestão pública, atuando em assessorias e chefias de gabinete voltadas para o desenvolvimento social e educacional no estado de São Paulo”, diz a parlamentar.
“A partida da nossa companheira Bia Pardi silencia uma das vozes mais firmes do magistério paulista, mas seu legado continua vivo em cada professor que luta por valorização e em cada escola pública defendida. Sua retidão, coragem e generosidade permanecerão como farol para as próximas gerações de educadores e militantes”.
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