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Bia Pardi em atividade em novembro de 1997, quando exercia seu segundo mandato como deputada estadual

Educadora, militante política de esquerda, dirigente sindical, deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores por dois mandatos (entre 1991 e 1999), Beatriz Accorsi Pardi, a Bia Pardi, partiu nesta terça-feira, 9 de junho, aos 84 anos.

Bia atuou por décadas na rede pública estadual de ensino, tornando-se uma liderança expressiva do professorado paulista. Seu envolvimento com as lutas do magistério público fez com que se tornasse dirigente da Apeoesp, um dos maiores sindicatos brasileiros: foi diretora de imprensa (1983-1985) e depois vice-presidenta (1989-1991). Este impulso resultou também na conquista dos mandatos que a levaram à Assembleia Legislativa (Alesp). Posteriormente, na gestão de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo, foi subprefeita da região de Pinheiros (2001-2004).

Um dos destaques de sua atividade como parlamentar foi a autoria do projeto de lei 463/1992, que tornou obrigatório o ensino de educação artística no currículo das escolas públicas estaduais, da primeira à oitava séries do 1º grau e na primeira e segunda séries do segundo grau, com carga horária de duas aulas semanais. O projeto foi aprovado pela Alesp e sancionado pelo então presidente da casa, Ricardo Tripoli, dando origem assim à lei 9.164/1995.

“Além de parceira nossa em inúmeras lutas em prol da educação pública ao longo dos anos, a companheira Bia Pardi foi essencial na defesa do Plano Estadual de Educação – Proposta da Sociedade Paulista na Alesp, cujos conteúdos e metodologia de construção continuam sendo referências importantes para toda a sociedade paulista e brasileira. Bia Pardi, presente!”, declarou ao Informativo Adusp Online o professor Cesar Augusto Minto, ex-presidente da Adusp.

“A bancada de deputados e deputadas do PT na Alesp partilha com todos os militantes e construtores da história de nosso partido o sentimento doloroso da perda de uma companheira admirável. Despedimo-nos de Bia Pardi com ternura e saudade”, destaca nota de pesar assinada pelo deputado Jorge do Carmo, líder da bancada. “Unimo-nos nessa cerimônia de adeus, convictos de que ela cumpriu sua missão de educadora e de combatente que marcou sua época”.

Entre as lutas travadas na Alesp, prossegue a nota da bancada do PT, “Bia Pardi destacou-se na criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra a Mulher e contra a Criança e o Adolescente, denunciando o desmonte de uma máfia que vendia livros didáticos novos para serem retalhados e virarem aparas”. O texto lembra ainda sua participação nas denúncias contra juízes que traficavam crianças, bem como a colaboração no trabalho de elaboração e aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“[Bia] Trouxe para o parlamento sua experiência de professora e dirigente sindical do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) para qualificar o debate sobre a educação pública no Estado. Fundadora do Partido dos Trabalhadores (PT), foi líder da bancada de deputados e deputadas estaduais petistas no período de março de 1998 a março de 1999”. Bia atuou ainda por onze anos, entre 2006 e 2017, como assessora para assuntos de educação da liderança da bancada na Alesp, e foi coordenadora do Setorial de Educação do PT-SP.

“Essa grande companheira sempre nos instigou com sua inteligência e sua absoluta entrega aos projetos coletivos, desenhando a sua volta o mundo como ela o via, com o testemunho de uma mulher apaixonada pelas causas que abraçava”, diz ainda a nota da bancada. “Nesse momento de despedida, somamos nossas lembranças e recordações sobre como nossa companheira Bia Pardi convivia com os amigos, como se expressava, como defendia suas ideias e se colocava diante do mundo para interferir no seu curso de transformação”.

A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) também emitiu nota em que se solidarizou com familiares, amigos e camaradas de militância: “Sua inteligência, firmeza de princípios e generosidade deixaram marcas profundas em todos aqueles e aquelas que tiveram o privilégio de compartilhar sua caminhada. Bia Pardi, presente! Hoje e sempre”.

A deputada estadual Bebel, que conviveu com ela na direção da Apeoesp e em outros espaços, publicou no Facebook um texto pessoal em homenagem a Bia. “Além do mandato legislativo, Bia Pardi contribuiu com sua vasta experiência técnica e política na gestão pública, atuando em assessorias e chefias de gabinete voltadas para o desenvolvimento social e educacional no estado de São Paulo”, diz a parlamentar.

“A partida da nossa companheira Bia Pardi silencia uma das vozes mais firmes do magistério paulista, mas seu legado continua vivo em cada professor que luta por valorização e em cada escola pública defendida. Sua retidão, coragem e generosidade permanecerão como farol para as próximas gerações de educadores e militantes”.

EXPRESSO ADUSP


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