Opinião
Reitoria da USP precisa recuperar o HU, uma das demandas da greve estudantil
Neste artigo, o diretor clínico do Hospital Universitário, João Paulo Becker Lotufo, relata recente visita a uma universidade do interior do Rio Grande do Sul e compara o que viu com a realidade de desmanche e esvaziamento do HU

O recente movimento grevista da USP surgiu em meio à insatisfação com a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE). Foi uma das maiores mobilizações estudantis dos últimos anos na USP. Uma das reivindicações dos alunos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) era contra o desmanche do Hospital Universitário (HU), que caminha para a sua segunda década.
Após o término do movimento, a Diretoria Clínica do HU reforça a necessidade de esforços da Reitoria da USP para a recuperação do hospital, dedicado à assistência, ao ensino e à pesquisa, e hoje sofrendo pelo sucateamento e esvaziamento de suas atividades.
O que há de excelência no HU são todos(as) os(as) seus funcionários e funcionárias, entre eles(as) os(as) médicos(as). Nós queremos operar, queremos atender, queremos dar mais conforto aos e às pacientes e compartilhar nossa experiência com alunos e alunas, mas a mudez dos que nos dirigem é incompreensível.
Estive recentemente em Erechim, no Rio Grande do Sul, a convite da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), para dar continuidade ao projeto de prevenção de drogas iniciado lá há cinco anos, além de acompanhar a inauguração de um ambulatório antitabágico, criado nos moldes do nosso, que funciona há mais de 20 anos no HU prestando serviço à comunidade. O convite me deixou muito feliz.
Fiquei impressionado com a URI. Excelente padrão, excelente conservação, excelente ambiente de trabalho. A sua direção é eleita a cada quatro anos, e todos têm direito a voto. Há possibilidade de uma reeleição. Isso tem levado na URI à alternância de chefias e propiciado novas ideias.
Seja numa fundação, seja numa instituição pública, se houver interesse real, tudo pode funcionar bem. Mas a nossa casa tem uma administração retrógrada, emperrada, de pouca agilidade. Como exemplo, cito a reforma do setor de raios X do HU, que levou cinco anos.
Hoje o hospital está se remendando com um projeto do Corpo de Bombeiros para poder funcionar de acordo com as normas vigentes, algo feito com um atraso de 40 anos.
Enquanto via a faixa de inauguração do ambulatório antitabágico da URI, lembrava que o banheiro masculino do corredor principal do HU, o hospital-escola da maior universidade da América Latina, está interditado há três meses.
Em outro corredor do HU, uma placa anuncia que “em breve” haverá inauguração do Espaço SAUde – esse “em breve” já dura mais de um ano.
Como dizia o velho jornalista, tudo isso “é uma vergonha”.
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